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Coisas que...

Coisas que...

30
Mai23

[Li] "A arte de caminhar" de Erling Kagge

Em 2017 li, do mesmo autor, Silêncio na era do ruído e, sempre que falo dele, descrevo-o como um livro de autoajuda, mas com uma escrita melhor. Acho que já não posso dizer o mesmo deste.

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Retirado daqui.

Talvez esteja numa outra fase da minha vida... Quer dizer, não é talvez, estou sem dúvida numa outra fase da minha vida, e de momento já não me presto tanto a chavões e frases feitas, apesar de ainda ter marcado bastantes na leitura. Mas acho que o problema é que pretendia uma outra coisa do livro, mais a experiência de caminhar e não tanto ponderações "filosóficas", ou como é necessário caminhar pelas mais diversas razões. Já o sei.

A caminhada sempre foi algo que fiz, mais não seja como meio de locomoção, mas só de 2020 para cá me tenho vindo a interessar verdadeiramente pela ação e benefícios, sobretudo a nível mental, da mesma. Dei por mim nos últimos tempos a procurar livros sobre o tema, já tenho alguns agora falta meter pés ao caminho, por assim dizer.

11
Dez22

[Li] "Hotel Silêncio" de Auður Ava Ólafsdóttir

Há diferentes tipos de cicatrizes, como a autora explica em nota sobre o título original. O termo em islandês

aplica-se ao corpo humano, mas também a um país ou a uma paisagem destroçados por uma guerra ou pela construção de uma barragem.

Este livro vai-se focando na carne, num primeiro momento, para depois se focar nas cicatrizes. Contudo, estas não são apenas as que se notam na pele. Trata sobretudo das emocionais que só se curam com amor, empatia, pertença a uma comunidade.

Retirado daqui.

O livro segue Jónas que perto de completar 49 anos se encontra numa crise emocional profunda e que o leva a viajar, "em férias", para um local devastado pela guerra. Aí volta a encontrar um sentido.

Poderia ser um livro banal, mas não o é de todo sobretudo pela escrita. Fez-me recordar, de certa forma, Stoner de John Williams e, talvez por isso, ache que se encontra uns furos abaixo deste último.

11
Dez21

[Li] "Bad Blood: Fraude Multimilionária em Silicon Valley" de John Carreyrou

Há ja algum tempo que me havia cruzado com o nome Elizabeth Holmes e Theranos, mas só muito superficialmente sabia do que se tratava até que me vicei no podcast Bad Blood: The Final Chapter. Comecei a ouvir quando havia 6 episódios disponíveis, sendo que ouvi 5 no mesmo dia porque não conseguia parar. Entretanto também vi o documentário The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley pelo que já só faltava mesmo o livro. Não desapontou.

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Retirado daqui.

 

Para quem já havia consumido os outros produtos, digamos assim, pouco de novo traz, mas não deixa de ser interessante por mostrar alguns passos do jornalismo de investigação. Contudo, penso que a mais valia será o facto de contar, de uma perspetiva cronológica, como a Theranos se foi desenvolvendo durante uma década, com políticas de medo e confidencialidade exercidas sobre os trabalhadores, e sem que investidores (sobretudo) se questionassem sobre a eficácia dos "analisadores". Também ilustra como o empreendedorismo, apesar de poder ser movido, a início, por ideias com bons intuitos, pode descambar, e como a política de Silicon Valley e de "fake it till you make it" pode ter consequências nefastas se aplicada a uma área de negócio como o diagnóstico médico.

17
Jan21

[Vi] "O Dilema das Redes Sociais"

Em 2015 percebi que as redes sociais me tinham fechado numa bolha. Seria fácil simplesmente deixar estas plataformas, mas é através delas que me mantenho informada profissionalmente, já para não falar de poder manter o contacto com pessoas que a vida, infelizmente, foi afastando, pelo que me pareceu bastante mais útil informar-me e perceber a melhor postura e comportamento a adotar quando on-line.

Assim comecei um caminho que (devagar, é verdade) me levou, recentemente, ao documentário "O Dilema das Redes Sociais", que teve em mim o impacto que já antevia. Não acrescenta nada de novo a quem já vai lendo ou vendo Ted Talks, por exemplo, sobre o tema, mas achei in­teressante que tenham entrevistado quem desenvolveu algumas das ferramentas que hoje tanto são criticadas e tidas como nocivas, ilustrando, a meu ver, demasiado bem como aquelas não são desenhadas com um mau propósito mas, como tantas outras invenções humanas, acabam por ser facilmente usadas para fins menos dignos. Isto não retira responsabilidade aos seus inventores, que deveriam antever todas as possibilidades e repercussões que um uso indevido pode causar, mas coloca também em nós a responsabilidade de como utilizamos as ferramentas à nossa disposição.

O documentário convida a parar e pensar sobre como usamos, ou mesmo sobre como nos deixamos usar pelas plataformas digitais, e dá a conhecer algumas formas de como (voltar a) ganhar um pouco desse controlo sobre a tecnologia que usamos e a interagir com a mesma, nomeadamente durante os créditos mas também no sítio web do documentário e mediante pesquisa sobre os entrevistados, dando a conhecer projetos e possibilitando aprofundar o tema.

03
Jan21

[Vejo] Documentários sobre Minimalismo

Passei a tarde do primeiro dia deste novo ano a ver os documentários realizados pelo Matt D'Avella disponíveis no Netflix, sendo que o mais recente estreou nesse dia e uma vez que subscrevi o mês grátis para ver a série "Bridgerton" (vi logo todos os episódios de seguida, no dia de Natal assim que estreou, porque era a coisa que mais queria ver este ano! Polin! Peneloise! ) mais vale aproveitar.

Bem, eu até acho interessante o conceito do Minimalismo mas, muito since­ramente, não vou conseguindo levar a sério as pessoas e personalidades que mais o promo­vem, pois não se apercebem do privilégio que têm (leiam também este texto). Quem tem pouco, não é destralhando que vai encontrar significado ou sentir- se mais feliz. Há quem precise de épocas de saldos, como o Black Friday que tanto mostram no documentário, porque de outra forma se calhar não conseguem comprar o que querem ou precisam. Há quem não possa deixar o seu trabalho para se dedicar a ser blogger e a vender, bem... banha da cobra. Porque parece que isso que me estão a tentar vender, sobretudo com o segundo e mais recente documentário "Less is Now", para além de uma estética que me parece fria e, sinceramente, muito pouca acolhedora. Mas isso talvez seja de já ter visto muitos vídeos sobre o tema no Youtube.

Não quer dizer que não tenha pontos positivos. Sobretudo o primeiro, "Minimalism: A Documentary About the Important Things", tem algum interesse ao abordar como nem tudo o que achamos pretender ser realmente o que mais desejamos ou devemos procurar. Mas não me parece que seja vivendo com me­nos coisas que passamos a viver melhor. Para isso há que viver com intenção e de for­ma deliberada, dando mais atenção a nós e aos outros, apesar de no dia-a-dia ser fácil esquecer isso

Alerta também para algum consumismo desenfreado e mesmo desnecessário, que tem efeitos nocivos para o ambiente e mesmo em termos socioeconómicos, porque geralmente produtos baratos devem-se a cortes sobretudo na mão-de-obra. Mas não me parece que o minimalismo seja a resposta. Ser um consumidor consciente (e consciente a vários níveis) parece-me mais adequado.

Apesar de tudo, retiro dos documentários algumas coisas que me interessam para enfrentar este ano que começa e que tem por tema "curadoria".

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