[Faço] Questionário a utilizadores de plataformas digitais de museus portugueses
Na verdade nunca pensei fazer coisas destas mas cá estou eu...
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Na verdade nunca pensei fazer coisas destas mas cá estou eu...
Já por aqui tinha mencionado os gatos do British Museum (oiçam, é bem giro) e hoje tropecei nisto.
Realmente, e agora que penso bem nisso, no Teatro Romano de Mérida também me cruzei com alguns gatos e não se pense que é só lá por fora que os gatos fazem do património histórico a sua casa. O Museu Arqueológico do Carmo também tem felinos, sendo o mais conhecido o Nuno Álvares.
Como disse antes, felizmente no meu trabalho posso ir ouvindo alguma coisas, possibilitando que coloque a leitura em dia e me encontre informada sobre os mais variados temas. Aqui há uns tempos, quando coloquei todos os podcasts em dia, andei à procura de outros em que me viciar e que, por diversas vicissitudes, só agora ocorreu ouvir.
Um destes casos é o podcast do British Museum.
Tenho de confessar algumas coisas. Primeiro, o meu sonho era trabalhar no British Museum, nem que fosse a limpar vitrines. Segundo, não podendo concretizar tal sonho, sigo o British Museum em todas as plataformas possíveis e imagináveis, e admiro o brilhante trabalho que fazem na comunicação com o público, pelo que havendo possibilidade de copiar as ideias, não hesito! Terceiro, apesar de já ter ido a Londres não visitei o mesmo, algo que lamento quase todos os dias. Mas não faltarão outras oportunidades.
Portanto, tendo acabado mais uma leitura em áudio-livro e vendo a lista de podcasts a crescer, esta semana voltei a estes e eis que chego ao do British Museum, com o interessante título "The Suicide Exhibition".
Trabalhando e mais recentemente estudando museus, tenho vindo a constatar que muitas vezes o mais interessante acaba por ser, não as colecções, mas as histórias da própria instituição, sobretudo a pequena história - o quotidiano das mesmas. Infelizmente este ponto acaba por ser o que é menos visível nestas instituições culturais, e talvez por isso tanta gente não perceber qual a sua utilidade. O British Museum parece-me desenvolver um extraordinário trabalho em trazer à luz este dia-a-dia, com a partilha, por exemplo, de episódios que mostram o processo de conservação de um objecto ou partilhando histórias dos seus arquivos.
No caso do primeiro tema do podcast, que se encontra desenvolvido em dois episódios, é revisitado o período que antecedeu a entrada da Segunda Guerra Mundial e as medidas tomadas para retirar todo o acervo relevante do museu para que não se perdessem obras de valor inestimável, entrando depois pela guerra adiante e dando conta de que o museu permaneceu aberto com cópias mas também com peças originais, a "coleção suicida" que sendo composta sobretudo por peças duplicadas (peças de que há vários exemplares semelhantes e/ou com a mesma função) que se poderiam "sacrificar".
Ainda hoje o tema da desafectação de bens culturais causa algum incómodo porque "tudo interessa" para contar História, para retratar um determinado momento de uma história, no entanto a escolha de peças nunca é tomado de ânimo leve e penso que este episódio ilustra bem todo o cuidado colocado na gestão e conservação de bens culturais, para que possam ser usufruídos por gerações vindouras, o que de resto é a função de um museu.
E para quem gosta, há também um episódio sobre gatos! Ainda não ouvi mas só o artigo que acompanha vale a pena.
Tive a sorte de crescer e de vir a trabalhar em museus, de os conhecer por dentro e por isso saber que um museu é muito mais do que as exposições que mostra. E se soubessem o que muitos não mostram, seja por falta de espaço, necessidades de conservação, relevância histórica ou artística... são tantos os bens culturais em reserva! E são estes os espaços que me fascinam. E continuam a fascinar.
Hoje tive a oportunidade de visitar mais um destes espaços e, como sempre, fiquei maravilhada. Inevitavelmente, imagino-me a trabalhar naqueles locais, a mexer naqueles objetos, a tentar perceber o que me têm a dizer. Sim, porque os objetos falam. Os que hoje visitei contam a história de conquistas coletivas, de alegrias para muitos e até de tristezas para os mesmos.
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