Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Coisas que...

Coisas que...

07
Jan19

[Penso] Do sentimento de orgulho ao conflito interno

Carla B.

Depois de uns 15 dias sem pensar na tese e na apresentação que terei de fazer para a defender, voltei a pegar na mesma. Reli-a, para melhor perceber quais os aspectos fundamentais, uma vez que tenho de condensar a apresentação que alinhavei - e que apresentei na espécie de test-drive que tive a oportunidade de fazer num seminário da minha orientadora - de cerca de 30 minutos, para não mais que um quarto de hora.

Sim, já tenho uma maior ideia do que interessa e do que pode ser supérfluo, mas o que sobretudo retenho desta leitura? O feito. Cheguei ao fim a duvidar de ter realmente escrito aquilo tudo, mas de facto fui eu! Fui eu que fiz aquela pesquisa. Fui eu que comecei a escrever em Março/Abril, vários meses depois do que realmente gostaria de ter feito. Fui eu que em Agosto, nos dias de folga, voltava ao local de trabalho para trabalhar na tese, porque isso é o que acontece quando o tema do nosso estudo é o nosso local de trabalho. Fui eu que em Outubro, enquanto assistia a um congresso no Fundão, acordava mais cedo no hotel e escrevia a porcaria da conclusão que teimava em não sair bem, tal era a exaustão de já ter escrito tanto e parecer que não saía mais nada de forma coerente.

Fui eu que fiz aquilo. Que li, que pesquisei, que pensei, que reflecti e que escrevi. Não consigo colocar por palavras o sentimento que me encheu, o orgulho, quando terminei a releitura.

Está claro que não é a oitava maravilha do mundo nem vai revolucionar a área científica, e provavelmente vou ser massacrada na defesa, mas não interessa. Consegui chegar à defesa! Eu! Euzinha! Eu que há um ano andava tão perdida, tão cheia de dúvidas e de incertezas. Até há uns dias atrás achava que as pessoas que leram e que me falavam da tese estavam a ser simpáticas comigo, mas não. Consigo agora ver que tem valor, tem coerência, pode ser aplicado. Tem trabalho por trás. Consegui pôr por escrito, e com bibliografia a apoiar, o que há alguns anos andava a teorizar. 

E é isto.

Mas de uma outra forma, parece o canto do cisne.

Agora que fiz um trabalho, em que acredito e que acho que pode realmente ajudar o meu local de trabalho, o local do âmbito do meu estudo, aguardo (com indisfarçável impaciência) que mudanças se confirmem e que me chamem de outro lado, para outra coisa.

É normal sentir-me meio dividida, certo? Orgulho de um lado, pena por não concretizar no outro. Saturação do sítio onde estou, mas sentido de dever cumprido. Tristeza, mas expectativa quanto a novos desafios. É normal este conflito, certo?

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D