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Coisas que...

[Vi] "The Disappearance of Eleanor Rigby: Them"

por Carla B., em 04.03.15

Tirado daqui

 

Ultimamente tenho andado com interesse em filmes diferentes, que sejam gravados ao longo de 12 anos por exemplo, ou que dêem que pensar (mais não seja pela sua estranheza), como o "Under the Skin", por isso quando vi que este filme teria diferentes partes, ficou debaixo de olho.

 

Esta experiência, chamemos-lhe assim, tenta apresentar dois pontos de vista de uma mesma relação. Como não sabia porque ordem ver, se começar pela versão dela ou dele, acabei por optar pela visão de ambos. Não me arrependo já que fiquei com a ideia geral do que se passa entre eles e agora penso que será interessante debruçar-me sobre o ponto de vista de cada um.

 

A história parece começar a meio, e logo com uma espécie de murro no estômago, mas aos poucos vamos ficando a conhecer as personagens e as suas histórias, como chegaram a uma situação de ruptura e como tentam trabalhar numa relação que, de qualquer outro modo, parecia perfeita.

 

Um dos pontos fortes é sem dúvida a química entre os personagens. Talvez esteja a ser parcial, porque acho que o James McAvoy é perfeito brilhante em tudo o que faz e a Jessica Chastain, cujo trabalho não conheço tão bem, parece fazer também parte do grupo "actores que não conseguem errar". No entanto, o que mais gostei foi de como as duas personagens funcionam bem separadas. É óbvio que se amavam e que, apesar daquilo porque passaram, ainda sentem algo pelo outro, mas também são seres que funcionam fora da relação, algo que muita ficção esquece. Tal como esquece o trabalho que dá manter uma relação, e que por vezes há discussões, pelo que este filme fez-me lembrar em certa medida a trilogia "Before", o que é sempre bom. Assim, focando em indíviduos que fazem parte de um casal (que supostamente devia funcionar como uma unidade) acompanhamos a maneira com que cada um processa o mesmo acontecimento e lida com o que tudo isso suscita. É interessante ver como num momento em que deviam unir-se, o facto de terem personalidades diferentes e diferentes modos de lidar com a perda, acabam por se isolar e afastar-se um do outro.

 

O final pareceu-me um pouco deixado em aberto, espero que num dos outros seja algo mais concreto, mas mesmo que tal não suceda não vejo qualquer mal, pois tal como em "Before Sunrise" aposto que há 3 categorias de pessoas e de como encaram o final - aqueles que acreditam que ficam juntos, os que não o acreditam e aqueles que gostariam que tal acontecesse mas que duvidam. Mas qualquer que seja o final, a mensagem parece ser simples: a conversação é a melhor maneira para trabalhar uma relação, no entanto, é complicado quando parece que não há palavras para descrever o que se sente, ou a profundidade do que se sente, e os outros não conseguem ler mentes. O que fazer nesse caso? É isto que o filme explora e é por isso que o recomendo e que facilmente se transformou num favorito.