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Coisas que...

[Pondero] TAG dos 50% - 2017

por Carla B., em 28.06.17

Não sou de fazer este tipo de coisas mas pensei "e porque não"? Não é que tenha resposta para muitas destas questões mas sempre dá para falar um pouco do que tenho vindo a ler.

Vi no canal da Joana - Ler Com Lobos, onde podem encontrar quem criou e traduziu. Ela adaptou também algumas perguntas, mas vamos ao que interessa...

1. O melhor livro que você leu até agora, em 2017.

Não é propriamente um livro mas não há volta a dar, todos os que li do George R.R. Martin este ano, ou seja de A Tormenta de Espadas a Os Reinos do Caos.

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2017.

Vide resposta anterior.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.

Epá, eu ando muito por fora do que tem vindo a ser publicado mas do que tenho visto, talvez o do Rodrigo Guedes de Carvalho. Tenho o primeiro livro dele por ler, cá em casa, mas foi uma compra da minha mãe porque não me chamou tanto a atenção como a ela. Já este último, confesso que fiquei bastante mais curiosa e estive quase para o trazer durante a Feira do Livro.

Se falarmos de livros que saíram em Portugal este ano mas que já tinham saído lá por fora, ora de momento só me lembro de Uma Magia Mais Escura e o Nimona.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre.

Lá está, também não faço ideia.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano.

O que estou a ler neste momento, Persephone por Julian Stockwin. É certo que ainda só vou a meio, mas eu à espera de um Sharpe do Bernard Cornwell e sai-me um muito mau amanhado Persuasão da Jane Austen.

Também estava à espera de outra coisa ao ler Museums and the Interpretation of Visual Culture. E não falemos de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano.


Racismos de Francisco Bethencourt, apesar de ter demorado 2 meses a lê-lo, foram 2 meses bem empregues. A análise que faz da evolução da visão do outro, do preconceito, e a chegada à teoria das raças, passando pelos mais bárbaros actos que se fizeram, em toda a Humanidade, contra seres humanos... É uma análise bastante pertinente, que faz avaliar os nossos próprios preconceitos, como muitos são moldados pela sociedade, e qual a sua raiz. Num momento em que, mais que tudo, é preciso acolher o outro, aconselho sem dúvida esta leitura, que de resto serviu de ponto de partida para uma exposição que se encontra patente no Padrão dos Descobrimentos, em Belém (Lisboa).

Também me surpreendeu Didáctica del Museo: el descubrimiento de los objectos, por focar um tema que me interessa profissionalmente. Acabou por ser o que esperava que Museums and the Interpretation of Visual Culture tivesse sido.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente).

O que tenho lido é sobretudo autores de que já conhecia a escrita, e os novos que tenho lido não têm sido particularmente marcantes.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.

Nenhum.

9. Seu personagem favorito mais recente.

Não é propriamente favorito e não é propriamente recente, mas o arco do Theon em As Crónicas de Gelo e Fogo foi das coisas que mais gosto me deu ler este ano e foi a personagem que, de longe, mais gostei de acompanhar.

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre.

Sinceramente não me recordo. Tenho chorado muito mas (infelizmente) não têm sido os livros a provocar-me as lágrimas.

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre.

Apesar de não ter gostado, talvez tenha sido Harry Potter e a Criança Amaldiçoada a deixar-me mais feliz. A expectativa de regressar a Hogwarts, acompanhar personagens que tanto me marcaram...

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2017.

Não faço ideia. Tenho visto algumas adaptações mas ainda não li os livros que lhes deram origem. Penso que o único que vi e li foi A Rapariga com Brinco de Pérola mas nem livro nem filme foram memoráveis.l

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo).

Até agora a que mais gostei de ver foi a da Rincey sobre o Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e a de ouvir foi na Roda dos Livros, onde algum dos presentes falou sobre o J.G. Ballard de uma maneira que eu não consigo, ou seja, de maneira coerente. Quanto a ler, de momento não me recordo de nenhuma mas culpo toda a gente que tem falado sobre Uma Magia Mais Escura, sobretudo a Célia e a Patrícia, que já deveriam de saber que uma pessoa não precisa de ler mais boas opiniões sobre livros de fantasia...

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.

Esta é fácil! Oh para O Mundo de a Guerra dos Tronos! Ok, a foto não lhe é favorável mas o do Eco também não é desagradável à vista...



15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Precisarei de ler muitos, que de momento não são para aqui chamados, mas gostava de ler, ou melhor, ouvir o áudio-livro The Year of the Flood da Margaret Atwood. No entanto, vou lendo o que posso e o que quero, porque como o tempo livre não tem sido muito e nem sempre tenho cabeça para leituras, tenho preferido ir ao sabor do que me apetece num determinado momento.

[Acontecem] Planos que saem furados mas que se tornam nos melhores momentos

por Carla B., em 12.06.17

Este fim de semana foi exactamente o que precisava, depois de meses que passaram a voar e tanta coisa mudou. Mas não deixou de ter peripécias, que a meu ver até foi o que deu a este fim de semana um gostinho tão especial.

Começou com um belo almoço no sábado, em família, e um lanche que me matou a fome de caracóis. Partimos, eu e o mano, depois para a Feira do Livro com um objectivo bastante definido, assistir ao "Governo Sombra". Infelizmente pouco ou nada ouvia, o que sinceramente me deixou bastante desapontada com toda a logística por detrás daquilo, porque se é para gravar em directo, ao menos que as pessoas que estejam no local sejam capazes de ouvir. Para afogar as mágoas fui dar uma volta à feira, o que resultou nisto:


O itinerário, após a Feira, incluía jantar pela Baixa, num restaurante sugerido pelo mano, e depois tentar assistir a uma noite de Fado no Castelo, mas chegando a ambos os locais percebemos que não teríamos sorte.

Era tarde demais para outro tipo de planos, para além de que eu estava a ficar com fome, o que nunca augura nada de bom, pelo que demos por nós a jantar nos Armazéns do Chiado e depois, para desmoer, sentámo-nos num dos quiosques da Avenida da Liberdade a colocar a conversa em dia enquanto bebíamos uma caipirinha. Foi o melhor que podíamos ter feito e o que eu tanto precisava sem me dar conta!

São estes os pequenos momentos de que uma pessoa por vezes precisa. Não é necessário grandes planos, muitas vezes basta uma bebida e, sobretudo, uma boa companhia.

[Penso] Ainda sobre o "Harry Potter e a criança amaldiçoada" e a expansão de universos

por Carla B., em 03.05.17

Já faz uns meses que li a peça de teatro mas hoje tropecei neste vídeo na minha lista do Youtube para ver mais tarde (sim, estou uns valentes meses atrasada no que toca à visualização das minhas subscrições no Youtube e já muita coisa apaguei eu da lista).

 

A Rincey faz parte da equipa do Book Riot e é das poucas booktubers que sigo, pois não sou a maior fã deste meio de difusão, prefiro ler críticas. Nem todos os livros de que fala são do meu interesse mas revejo-me em algumas das suas opinões, como no caso presente. No entanto, o que me fez divulgar aqui o vídeo é a última parte, onde ela se debruça sobre a presente expansão de universos a que se assiste, tanto no meio editorial como cinematográfico.

 

 

Eu sou aquela pessoa que, se a J.K. Rowling publicar uma História de Hogwarts, irá comprar o livro mas muito sinceramente, não quero saber. Não me interessa ver o filme dos "Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los ", ou lá como é a tradução, apesar de ter o livro em casa. Não tenho grande interesse em aprofundar a relação entre o Dumbledore e o Grindelwald. Na verdade, até fico parva por não participar assim tanto no site Pottermore como pensava que viria a acontecer. Para mim acabou, aquela história chegou ao fim. Estes acrescentos pouco mais trazem e como a Rincey, muito provavelmente até virei a ler conforme me interessar.

 

Mas dá que pensar. Sobretudo quando vemos, tal como ela menciona, o James Bond ou, como aconteceu no ano passado ou há dois, "ressuscitam" o Poirot ou continuam uma série após a morte do autor. Entendo no caso do Robert Jordan e do Brandon Sanderson, o último já vinha a trabalhar na série Wheel of Time, e do Christopher Tolkien que edita e publica escritos do pai. Mas contratar alguém como fizeram para o último livro do Poirot, pensar que alguém pode pegar numa personagem de um autor que faleceu e criar assim uma obra... Acho que revela alguma desinspiração.

 

Sim, eu já li livros baseados nas personagens da Jane Austen e até livros da Jane Austen onde foram adicionados zombies, mas nunca foram das leituras mais memoráveis, de facto nunca chegaram perto do original, pelo/a escritor/a original. Sou das maiores consumidoras dos recontares de mitos e tal, mas não posso deixar de ficar algo inquieta quando vejo este tipo de situação. E como há autores que podiam perfeitamente ter o seu nome publicado de forma independente daqueles escritores que vieram antes e tanto impacto tiveram na cultura ocidental, escrevendo e desenvolvendo histórias suas e personagens seus.

 

Espero não dar a ideia de que não aprovo estes escritos. Acho que fanfiction é saudável, uma forma perfeitamente legítima de interagir com as personagens que tanto dizem a leitores, mas o facto de ver este tipo de leituras publicadas, ainda por cima de forma quase que "sancionada" (faltando melhor termo) deixa-me tão desanimada como a aparente falta de criatividade no cinema, que leva à mesma situação.

[Acontecem] Drama de leitor

por Carla B., em 27.03.17

Perceber que se perdeu o marcador de livros preferido, porque devia estar num dos livros que foram devolvidos à biblioteca.

[Penso] Sobre ler os livros favoritos de alguém

por Carla B., em 05.03.17

Não escondo que o meu gosto por livros vem da minha mãe. E ainda hoje, apesar de ela já não ler (prefere dedicar-se a outras coisas, mais recentemente fez-me uma camisola, por isso nada contra ) é com ela que muitas vezes partilho as minhas leituras.

 

Tento fazê-lo como ela, contando a história toda (sim, devemos ser as campeãs a spoilar, mas que fique bem claro só ela me pode spoilar) e as emoções que tive ao ler. Foi assim que durante 20 anos conheci alguns livros, os preferidos dela: O Clã do Urso das Cavernas de Jean Auel, As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley, As Mulheres da Casa do Tigre de Mercedes Lackley, André Norton e Marion Zimmer Bradley, O Vale dos Cinco Leões de Ken Follet, O Perfume de Patrick Süskind, O Tesouro dos Czares de Konsalik e Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos.

 

Durante muito tempo fiquei reticente em ler aqueles livros, como a autora deste artigo, mas entretanto venci o medo (só me falta concluir a leitura de As Brumas de Avalon e ler os dois últimos) e descobri boas surpresas. Apesar de não ter gostado tanto daqueles títulos como a minha mãe, consegui perceber o que tanto ela gostou neles e assim senti-me mais próxima dela. Se custou falar do que achei, num caso ou outro? Um pouco, mas a partilha da experiência ainda enriqueceu mais a nossa ligação, acho eu, porque ao falarmos de algo em comum, de algo por vezes tão pessoal como a experiência da leitura, dá a conhecer um outro lado de nós que talvez não seja assim tão evidente, até para quem nos criou.

[Li] "Harry Potter e a criança amaldiçoada" de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

por Carla B., em 03.03.17

Seria muito difícil para mim não ler este livro. Os livros do Harry Potter foram uma parte importante do meu crescimento, de tal modo que deixaram um vazio que, parece-me, ainda não foi suplantado. E provavelmente nunca será, pois duvido que novos livros tenham o mesmo efeito. Terão outros, até porque estes também não suplantaram o buraco que se me abriu no peito com A Lua de Joana. Há livros e há momentos perfeitos para ler esses livros. Outros livros terão os seus momentos, tenho a certeza disso.

 

Tirado daqui.

 

Sabia que esta história não poderia ser comparada aos outros 7, primeiro porque o formato é completamente diferente, uma peça de teatro, e segundo, as personagens não seriam, certamente, as mesmas. E não são. São pais, são adultos com outro tipo de responsabilidades. Tenho de confessar que gostei desta última parte, mas infelizmente senti que a peça de teatro não terá sido o melhor meio para explorar a história. Acredito que assistir à sua performance poderá ter um outro impacto completamente diferente, mas em termos de exploração da relação das personagens (e que relações haveria a explorar!) soube-me francamente a pouco.

 

Quanto à história em si… Bem, é melhor avisar que vou falar de algumas reviravoltas do enredo.

 

 

[Li] "A doença, o sofrimento e a morte entram num bar" de Ricardo Araújo Pereira

por Carla B., em 01.03.17

O meu irmão não lê. Raramente tem paciência e prefere divertir-se de outro modo. Nada contra, ele também gosta de videojogos e eu sou uma inapta e por isso não aprecio por aí além, prefiro vê-lo a jogar e acompanho a história como se estivesse a ver um filme. Mas há um senão no que toca a ele não ler… Não posso falar dos livros que li com ele quando preciso MESMO de falar com alguém sobre o que acabei de ler!

Visto aqui

 

No entanto ofereci este pequeno livro ao meu irmão pelo Natal e pasme-se, chegou o ano novo e ele leu-o! Na verdade foi uma aposta, podemos dizer, calculada. Sei que o meu irmão gosta do Ricardo Araújo Pereira, o rapaz até comprou um livro que o Ricardo Araújo Pereira mencionou num Governo Sombra… e começou a lê-lo! É certo que ainda não acabou, ele começou a lê-lo em setembro, salvo erro, e até agora ainda não deve ter chegado à página 100, mas estamos a falar de O Bom Soldado Švejk, que deve ter umas 800 páginas, e de alguém que não está habituado a ler. Para mim, toda esta empresa já é uma vitória e quem sabe, o rapaz até pode vir a tornar-se um leitor! Eu pelo menos agradeço que por uma vez não seja eu a trazer livros para casa, que o orçamento já viu melhores dias.

 

Mas dizia que foi uma aposta calculada. Claro que pensei que a empresa de O Bom Soldado Švejk seria algo para durar algum tempo, mas vi uma oportunidade e quando vi o livro do Ricardo Araújo Pereira nem pensei duas vezes. Um livro curto, tipo ensaio (talvez convenha também dizer que o meu irmão parece ser mais de não-ficção nas suas leituras, ainda que não tenha feito tantas como isso, porque lá está, o moço pouco ou nada lê), por uma personalidade que gosta de ouvir e admira. Tinha tudo para correr certo e felizmente correu! Até ao momento nada me soube tão bem (ok, consigo pensar em outras coisas que durante o mês de janeiro também me fizeram sentir muito bem) como o meu irmão vir ter comigo e dizer "Já li, é um bom livro. Já conhecia muitas das situações e piadas que explora mas é uma visão interessante sobre o riso e o humor", ou algo assim parecido.

 

E basicamente é isto que tenho a dizer sobre o livro. Também já contei a história de ter sido apresentada à Lídia Jorge enquanto o lia e pouco mais há a dizer. Há livros em que é o contexto como ele surge na nossa vida ou a altera, o que acontece à nossa volta ou a nós mesmos enquanto o lemos que importa. Este para mim será um desses livros.

[Li] "As Crónicas de Gelo e Fogo" de George R.R. Martin

por Carla B., em 12.02.17

Depois de ter delirado com a 6.ª temporada da série "A Game of Thrones", senti necessidade de continuar mergulhada naquele mundo enquanto aguardava (e aguardo) ansiosamente a próxima. Ora nada melhor, pensei eu, que me atirar aos livros. E foi o que fiz.

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Visto aqui.

 

Voltei a pegar nos primeiros dois volumes (quatro na versão portuguesa), que já havia lido e avancei por ali fora. A princípio queria ler os diversos capítulos, ver os episódios correspondentes e ouvir o podcast "A Cast of Kings" sobre os mesmos episódios, mas só resultou com o primeiro volume (os dois primeiros em português) pois, dali para frente, a ânsia de saber o que ali vinha, mesmo sabendo-o de antemão, não me deu tempo para ir acompanhando com a série e podcasts como desejava. De certa forma, ainda bem que assim foi, pois dá para continuar neste mundo por mais algum tempo, agora que acabei de ler tudo o que está publicado, sem contar com a enciclopédia, os contos de Dunk and Egg e os capítulos do próximo volume que o Martin já disponibilizou. Mas a esses também chegarei. :D

 

Uma das coisas que constatei foi o facto de ser engraçado ler quando já se sabe o destino de algumas personagens e como diversas situações se vão resolver. No entanto, sobretudo a partir do terceiro volume (quinto e sexto em português), houve coisas que me surpreenderam pois a história dos livros e da série difere um pouco. Na série televisiva o arco narrativo é bastante mais pequeno, com algumas linhas que não são tocadas nem abordadas e com personagens que nunca aparecem ou são sequer mencionadas.

 

O primeiro volume continua a ser o mais marcante para mim. Li-o antes de haver rumores da série, e foi engraçado acompanhar o casting, sobretudo no que ao Sean Bean disse respeito e onde a minha reação perante a escolha foi "ÓBVIO! SÓ PODIA SER ELE!" Mas dizia, este continua a ser o melhor livro para mim, pois foi o livro que me fez fã do autor e que contém, mais uma vez para mim, as duas cenas que mostram claramente o que são estas Crónicas de Gelo e Fogo. São o que carinhosamente lhes chamo "os momentos WTF" e que, diga-se, preparou-me para o que estava por vir: a cena do Bran e "as coisas que faço por amor" e, claro, a cena do Ned Stark.

 

O segundo livro, devo confessar, que pouco me lembrava do seu enredo, pelo que foi útil relê-lo e daí continuei pela saga fora. O terceiro é um corropio de emoções. Toda a tensão que se vai acumulando nos primeiros livros conhece aqui um pico tal, que explode tudo e em todas as direções. Se não tivesse visto a série, era capaz de me surpreender muito mais (ainda que apesar de saber o que aí vinha, tenha ficado ainda assim atordoada) e eventualmente destronar os "momentos WTF" do primeiro volume.

 

Os quarto e quinto volume (volumes 7 a 10 em português), são como que um respirar fundo antes de voltar a suster a respiração para o que está por vir. Se os primeiros volumes mostram as batalhas, estes mostram o lamber das feridas e os jogos de bastidores em preparação para a última parte do jogo. É quase que o intervalo de um jogo de futebol, onde se afinam táticas, se procuram os jogadores que, entrando frescos no jogo, o podem mudar. E eu mal posso esperar pelos próximos 45 minutos desse jogo. :P

 

No que toca à escrita do Martin, é fantástica. Penso que se nota o passado de argumentista televisivo, ainda que não seja tão "guião" como senti ao ler A Estirpe do Guillermo del Toro. A sua escrita é muito visual, ajuda bastante cada capítulo ser do ponto de vista de uma personagem, que por diversas vezes tem uma ideia completamente diferente de outras, ainda que tenham presenciado um mesmo acontecimento. Acho que é sobretudo aí que está o génio do George R.R. Martin porque capta, a meu ver, não só a essência dos personagens (até quando usam outros nomes, um artifício que achei delicioso sobretudo com uma personagem que de certa forma precisou de se redescobrir) como da própria História. E digo História com "h" maiúsculo, por forma a significar a ciência social que estuda o passado. Porque estas Crónicas de Gelo e Fogo ilustram, de forma magnífica, como a História se repete e como pode haver tantas "verdades". Não sei se me faço entender, mas continuando... Também achei interessante, e mais uma vez tenho de confessar de que não me lembrava como eram os finais dos livros, como cada volume (em inglês) termina numa espécie de "não percam o próximo episódio porque nós também não!" É engraçado como coloca um ponto final em certas questões mas lança, ao mesmo tempo, a base do que está para vir. Muito como as séries televisivas, e a que "A Game of Thrones" não foge e faz muito bem.

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Visto aqui.

 

E pronto, acho que por agora é isto. Penso que escuso de dizer como estou ansiosa à espera do final, tanto em livro como na série televisiva. E por falar em série, cá vou eu revê-la... 

[Acontecem] À hora de almoço

por Carla B., em 10.02.17

Tenho aproveitado os meus tempos mais livres, enquanto um novo semestre de aulas não começa, para colocar alguma da leitura em dia. Alguns desses tempos livres são compostos pela hora e meia de almoço a que tenho direito. Ora, geralmente estou num dos sofás (que podiam ser mais) confortáveis da área pública do meu local de trabalho e, por diversas vezes, tenho sido apanhada pelo meu chefe a ler nessas ocasiões (sendo que por vezes estou tão embrunhada nos livros que ele me chega a pregar uns sustos valentes).

 

Ora, estava hoje eu sossegadita a ler quando oiço uma voz conhecida a dizer "está a ver, os nossos funcionários também são grandes leitores" e quando olho quem mais se não o meu chefe... com a Lídia Jorge! Fiquei para morrer e com vontade de rir da situação, pois ainda por cima estava a ler o capítulo em que Ricardo Araújo Pereira, no seu recente livro, fala de opor uma coisa a outra coisa, e eu só pensava em como o meu chefe estava a apresentar uma subordinada, que é leitora, a uma autora.

[Encontro] Ler é o melhor remédio

por Carla B., em 14.05.16

Esta semana, por ocasião da publicação de um livro da Quetzal que me parece deveras interessante - Remédios Literários de Ella Berthoud e Susan Elderkin -, recebi esta newsletter da Bertrand:

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Primeiro, deixem-me confessar a alegria com que vi Possessão de A.S. Byatt como sendo um dos sugeridos! Não foi um dos livros mais fáceis de ler e, apesar de adorar a adaptação, não tenho palavras para definir o quanto o livro é superior. É um daqueles livros que, anos depois, ainda me vem à cabeça. Não passagens, porque a minha memória é terrível, mas toda a lembrança das emoções contidas naquelas páginas. Para ler num comboio? Sem dúvida, para ler num comboio ou em qualquer outro lado!

 

Depois vem a Agatha e o seu Crime no Expresso do Oriente. Bem, tenho de confessar um sonho... Viajar no Expresso do Oriente enquanto leio aquele livro, apesar de hoje já não ser o que era... Se há livro para ser lido num comboio, este É esse livro!

 

Já no que toca ao melhores romances para separações, tenho alguma reticência em aconselhar Nossa Senhora de Paris do Victor Hugo. O livro é brilhante, como de resto o que tenho lido do autor e que se restringe a este e a Os Miseráveis, e sim lida com separações mas meu Deus... o destino é cruel!

 

E o Conde de Monte Cristo para ler no avião? Por favor... este é outro que é para ler em todo o lado! Importa é que seja lido porque é das melhores histórias que alguma vez já foi contada!