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Coisas que...

[Acontecem] Drama de leitor

por Carla B., em 27.03.17

Perceber que se perdeu o marcador de livros preferido, porque devia estar num dos livros que foram devolvidos à biblioteca.

[Penso] Sobre ler os livros favoritos de alguém

por Carla B., em 05.03.17

Não escondo que o meu gosto por livros vem da minha mãe. E ainda hoje, apesar de ela já não ler (prefere dedicar-se a outras coisas, mais recentemente fez-me uma camisola, por isso nada contra ) é com ela que muitas vezes partilho as minhas leituras.

 

Tento fazê-lo como ela, contando a história toda (sim, devemos ser as campeãs a spoilar, mas que fique bem claro só ela me pode spoilar) e as emoções que tive ao ler. Foi assim que durante 20 anos conheci alguns livros, os preferidos dela: O Clã do Urso das Cavernas de Jean Auel, As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley, As Mulheres da Casa do Tigre de Mercedes Lackley, André Norton e Marion Zimmer Bradley, O Vale dos Cinco Leões de Ken Follet, O Perfume de Patrick Süskind, O Tesouro dos Czares de Konsalik e Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos.

 

Durante muito tempo fiquei reticente em ler aqueles livros, como a autora deste artigo, mas entretanto venci o medo (só me falta concluir a leitura de As Brumas de Avalon e ler os dois últimos) e descobri boas surpresas. Apesar de não ter gostado tanto daqueles títulos como a minha mãe, consegui perceber o que tanto ela gostou neles e assim senti-me mais próxima dela. Se custou falar do que achei, num caso ou outro? Um pouco, mas a partilha da experiência ainda enriqueceu mais a nossa ligação, acho eu, porque ao falarmos de algo em comum, de algo por vezes tão pessoal como a experiência da leitura, dá a conhecer um outro lado de nós que talvez não seja assim tão evidente, até para quem nos criou.

[Li] "Harry Potter e a criança amaldiçoada" de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

por Carla B., em 03.03.17

Seria muito difícil para mim não ler este livro. Os livros do Harry Potter foram uma parte importante do meu crescimento, de tal modo que deixaram um vazio que, parece-me, ainda não foi suplantado. E provavelmente nunca será, pois duvido que novos livros tenham o mesmo efeito. Terão outros, até porque estes também não suplantaram o buraco que se me abriu no peito com A Lua de Joana. Há livros e há momentos perfeitos para ler esses livros. Outros livros terão os seus momentos, tenho a certeza disso.

 

Tirado daqui.

 

Sabia que esta história não poderia ser comparada aos outros 7, primeiro porque o formato é completamente diferente, uma peça de teatro, e segundo, as personagens não seriam, certamente, as mesmas. E não são. São pais, são adultos com outro tipo de responsabilidades. Tenho de confessar que gostei desta última parte, mas infelizmente senti que a peça de teatro não terá sido o melhor meio para explorar a história. Acredito que assistir à sua performance poderá ter um outro impacto completamente diferente, mas em termos de exploração da relação das personagens (e que relações haveria a explorar!) soube-me francamente a pouco.

 

Quanto à história em si… Bem, é melhor avisar que vou falar de algumas reviravoltas do enredo.

 

 

[Li] "A doença, o sofrimento e a morte entram num bar" de Ricardo Araújo Pereira

por Carla B., em 01.03.17

O meu irmão não lê. Raramente tem paciência e prefere divertir-se de outro modo. Nada contra, ele também gosta de videojogos e eu sou uma inapta e por isso não aprecio por aí além, prefiro vê-lo a jogar e acompanho a história como se estivesse a ver um filme. Mas há um senão no que toca a ele não ler… Não posso falar dos livros que li com ele quando preciso MESMO de falar com alguém sobre o que acabei de ler!

Visto aqui

 

No entanto ofereci este pequeno livro ao meu irmão pelo Natal e pasme-se, chegou o ano novo e ele leu-o! Na verdade foi uma aposta, podemos dizer, calculada. Sei que o meu irmão gosta do Ricardo Araújo Pereira, o rapaz até comprou um livro que o Ricardo Araújo Pereira mencionou num Governo Sombra… e começou a lê-lo! É certo que ainda não acabou, ele começou a lê-lo em setembro, salvo erro, e até agora ainda não deve ter chegado à página 100, mas estamos a falar de O Bom Soldado Švejk, que deve ter umas 800 páginas, e de alguém que não está habituado a ler. Para mim, toda esta empresa já é uma vitória e quem sabe, o rapaz até pode vir a tornar-se um leitor! Eu pelo menos agradeço que por uma vez não seja eu a trazer livros para casa, que o orçamento já viu melhores dias.

 

Mas dizia que foi uma aposta calculada. Claro que pensei que a empresa de O Bom Soldado Švejk seria algo para durar algum tempo, mas vi uma oportunidade e quando vi o livro do Ricardo Araújo Pereira nem pensei duas vezes. Um livro curto, tipo ensaio (talvez convenha também dizer que o meu irmão parece ser mais de não-ficção nas suas leituras, ainda que não tenha feito tantas como isso, porque lá está, o moço pouco ou nada lê), por uma personalidade que gosta de ouvir e admira. Tinha tudo para correr certo e felizmente correu! Até ao momento nada me soube tão bem (ok, consigo pensar em outras coisas que durante o mês de janeiro também me fizeram sentir muito bem) como o meu irmão vir ter comigo e dizer "Já li, é um bom livro. Já conhecia muitas das situações e piadas que explora mas é uma visão interessante sobre o riso e o humor", ou algo assim parecido.

 

E basicamente é isto que tenho a dizer sobre o livro. Também já contei a história de ter sido apresentada à Lídia Jorge enquanto o lia e pouco mais há a dizer. Há livros em que é o contexto como ele surge na nossa vida ou a altera, o que acontece à nossa volta ou a nós mesmos enquanto o lemos que importa. Este para mim será um desses livros.

[Li] "As Crónicas de Gelo e Fogo" de George R.R. Martin

por Carla B., em 12.02.17

Depois de ter delirado com a 6.ª temporada da série "A Game of Thrones", senti necessidade de continuar mergulhada naquele mundo enquanto aguardava (e aguardo) ansiosamente a próxima. Ora nada melhor, pensei eu, que me atirar aos livros. E foi o que fiz.

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Visto aqui.

 

Voltei a pegar nos primeiros dois volumes (quatro na versão portuguesa), que já havia lido e avancei por ali fora. A princípio queria ler os diversos capítulos, ver os episódios correspondentes e ouvir o podcast "A Cast of Kings" sobre os mesmos episódios, mas só resultou com o primeiro volume (os dois primeiros em português) pois, dali para frente, a ânsia de saber o que ali vinha, mesmo sabendo-o de antemão, não me deu tempo para ir acompanhando com a série e podcasts como desejava. De certa forma, ainda bem que assim foi, pois dá para continuar neste mundo por mais algum tempo, agora que acabei de ler tudo o que está publicado, sem contar com a enciclopédia, os contos de Dunk and Egg e os capítulos do próximo volume que o Martin já disponibilizou. Mas a esses também chegarei. :D

 

Uma das coisas que constatei foi o facto de ser engraçado ler quando já se sabe o destino de algumas personagens e como diversas situações se vão resolver. No entanto, sobretudo a partir do terceiro volume (quinto e sexto em português), houve coisas que me surpreenderam pois a história dos livros e da série difere um pouco. Na série televisiva o arco narrativo é bastante mais pequeno, com algumas linhas que não são tocadas nem abordadas e com personagens que nunca aparecem ou são sequer mencionadas.

 

O primeiro volume continua a ser o mais marcante para mim. Li-o antes de haver rumores da série, e foi engraçado acompanhar o casting, sobretudo no que ao Sean Bean disse respeito e onde a minha reação perante a escolha foi "ÓBVIO! SÓ PODIA SER ELE!" Mas dizia, este continua a ser o melhor livro para mim, pois foi o livro que me fez fã do autor e que contém, mais uma vez para mim, as duas cenas que mostram claramente o que são estas Crónicas de Gelo e Fogo. São o que carinhosamente lhes chamo "os momentos WTF" e que, diga-se, preparou-me para o que estava por vir: a cena do Bran e "as coisas que faço por amor" e, claro, a cena do Ned Stark.

 

O segundo livro, devo confessar, que pouco me lembrava do seu enredo, pelo que foi útil relê-lo e daí continuei pela saga fora. O terceiro é um corropio de emoções. Toda a tensão que se vai acumulando nos primeiros livros conhece aqui um pico tal, que explode tudo e em todas as direções. Se não tivesse visto a série, era capaz de me surpreender muito mais (ainda que apesar de saber o que aí vinha, tenha ficado ainda assim atordoada) e eventualmente destronar os "momentos WTF" do primeiro volume.

 

Os quarto e quinto volume (volumes 7 a 10 em português), são como que um respirar fundo antes de voltar a suster a respiração para o que está por vir. Se os primeiros volumes mostram as batalhas, estes mostram o lamber das feridas e os jogos de bastidores em preparação para a última parte do jogo. É quase que o intervalo de um jogo de futebol, onde se afinam táticas, se procuram os jogadores que, entrando frescos no jogo, o podem mudar. E eu mal posso esperar pelos próximos 45 minutos desse jogo. :P

 

No que toca à escrita do Martin, é fantástica. Penso que se nota o passado de argumentista televisivo, ainda que não seja tão "guião" como senti ao ler A Estirpe do Guillermo del Toro. A sua escrita é muito visual, ajuda bastante cada capítulo ser do ponto de vista de uma personagem, que por diversas vezes tem uma ideia completamente diferente de outras, ainda que tenham presenciado um mesmo acontecimento. Acho que é sobretudo aí que está o génio do George R.R. Martin porque capta, a meu ver, não só a essência dos personagens (até quando usam outros nomes, um artifício que achei delicioso sobretudo com uma personagem que de certa forma precisou de se redescobrir) como da própria História. E digo História com "h" maiúsculo, por forma a significar a ciência social que estuda o passado. Porque estas Crónicas de Gelo e Fogo ilustram, de forma magnífica, como a História se repete e como pode haver tantas "verdades". Não sei se me faço entender, mas continuando... Também achei interessante, e mais uma vez tenho de confessar de que não me lembrava como eram os finais dos livros, como cada volume (em inglês) termina numa espécie de "não percam o próximo episódio porque nós também não!" É engraçado como coloca um ponto final em certas questões mas lança, ao mesmo tempo, a base do que está para vir. Muito como as séries televisivas, e a que "A Game of Thrones" não foge e faz muito bem.

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Visto aqui.

 

E pronto, acho que por agora é isto. Penso que escuso de dizer como estou ansiosa à espera do final, tanto em livro como na série televisiva. E por falar em série, cá vou eu revê-la... 

[Acontecem] À hora de almoço

por Carla B., em 10.02.17

Tenho aproveitado os meus tempos mais livres, enquanto um novo semestre de aulas não começa, para colocar alguma da leitura em dia. Alguns desses tempos livres são compostos pela hora e meia de almoço a que tenho direito. Ora, geralmente estou num dos sofás (que podiam ser mais) confortáveis da área pública do meu local de trabalho e, por diversas vezes, tenho sido apanhada pelo meu chefe a ler nessas ocasiões (sendo que por vezes estou tão embrunhada nos livros que ele me chega a pregar uns sustos valentes).

 

Ora, estava hoje eu sossegadita a ler quando oiço uma voz conhecida a dizer "está a ver, os nossos funcionários também são grandes leitores" e quando olho quem mais se não o meu chefe... com a Lídia Jorge! Fiquei para morrer e com vontade de rir da situação, pois ainda por cima estava a ler o capítulo em que Ricardo Araújo Pereira, no seu recente livro, fala de opor uma coisa a outra coisa, e eu só pensava em como o meu chefe estava a apresentar uma subordinada, que é leitora, a uma autora.

[Encontro] Ler é o melhor remédio

por Carla B., em 14.05.16

Esta semana, por ocasião da publicação de um livro da Quetzal que me parece deveras interessante - Remédios Literários de Ella Berthoud e Susan Elderkin -, recebi esta newsletter da Bertrand:

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Primeiro, deixem-me confessar a alegria com que vi Possessão de A.S. Byatt como sendo um dos sugeridos! Não foi um dos livros mais fáceis de ler e, apesar de adorar a adaptação, não tenho palavras para definir o quanto o livro é superior. É um daqueles livros que, anos depois, ainda me vem à cabeça. Não passagens, porque a minha memória é terrível, mas toda a lembrança das emoções contidas naquelas páginas. Para ler num comboio? Sem dúvida, para ler num comboio ou em qualquer outro lado!

 

Depois vem a Agatha e o seu Crime no Expresso do Oriente. Bem, tenho de confessar um sonho... Viajar no Expresso do Oriente enquanto leio aquele livro, apesar de hoje já não ser o que era... Se há livro para ser lido num comboio, este É esse livro!

 

Já no que toca ao melhores romances para separações, tenho alguma reticência em aconselhar Nossa Senhora de Paris do Victor Hugo. O livro é brilhante, como de resto o que tenho lido do autor e que se restringe a este e a Os Miseráveis, e sim lida com separações mas meu Deus... o destino é cruel!

 

E o Conde de Monte Cristo para ler no avião? Por favor... este é outro que é para ler em todo o lado! Importa é que seja lido porque é das melhores histórias que alguma vez já foi contada!

[Faço] Só Ler Não Basta #37 - Leituras de Abril

por Carla B., em 28.04.16

Eu já nem vou pedir desculpa por andar desaparecida, não ter acabado o desafio "Uma paixão chamada livros" e ter interrompido novamente o das 52 semanas. A vida acontece e já produzo tanto para outros sítios que a última coisa que quero é também ter de produzir algo para aqui. Mas como agora tenho um tempinho, aqui fica o último vídeo do Só Ler Não Basta, que faço com a Telma e a Diana.

 

Desde Março que só fazemos um vídeo por mês pois temos andado ocupadas com outras aventuras e estava a tornar-se esgotante ter que pensar e preparar o tema mensal. Poderemos voltar a eles, assim como a leituras conjuntas e talvez alguns desafios, no mesmo molde de um vídeo por mês, mas por enquanto mantemos e vamos dando a conhecer as nossas leituras e os artigos que nos chamaram a atenção.

 

Grupo no Goodreads

 

Artigos:

 

Telma - GATAfunho

Carla - America's First All-Romance Bookstore, The Ripped Bodice, Opens in California

Diana - HBO Is Making a New ‘Fahrenheit 451′ Movie, From ’99 Homes’ Director Ramin Bahrani

 

Leituras:

 

Telma - Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie

In the Greenwood de Mari Ness

A Fist of Permutations in Lightning and Wildflowers de Alyssa Wong

If I Stay de Gayle Forman

Where She Went de Gayle Forman

O Talentoso Mr. Ripley de Patricia Highsmith

 

Carla - Wilt de Tom Sharpe

The Ink Readers of Doi Saket de Thomas Olde Heuvelt

Burning Girls de Veronica Schanoes

Rag and Bone de Priya Sharma

Silver Storm de Cynthia Wright

Captain Wentworth's Diary de Amanda Grange

O Rei do Inverno de Bernard Cornwell

Inimigo de Deus de Bernard Cornwell

Excalibur de Bernard Cornwell

 

Diana - Prince Caspian de C.S. Lewis

The Phoenix on the Sword de Robert E. Howard

The Way of Kings de Brandon Sanderson

[Li] "Crónicas do Senhor da Guerra" de Bernard Cornwell

por Carla B., em 27.04.16

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Tirado daqui.

 

Conheci esta trilogia vai para mais de 10 anos, quando comecei a falar de livros com outras pessoas com gostos semelhantes e com quem passei a frequentar livrarias, sendo que me chamavam sempre a atenção. Vim, no entanto, a conhecer o autor com outra série que não esta (e bem mais longa!) e, devo dizer, nunca pensei conhecer uma personagem que destronasse o Richard Sharpe das minhas preferências. Mas está claro que ainda não tinha tido o prazer de conhecer Derfel Cadarn.

 

O estilo de narrativa é diferente do que tinha encontrado em outros livros do autor mas foi uma das coisas de que mais gostei. Basicamente, Derfel foi incumbido de escrever uma crónica sobre os tempos de Artur e está, por isso, a contar-nos a sua história, não a dos bardos que tanto despreza. Ele era um dos companheiros de Artur, esteve em muitos dos eventos que moldaram a Bretanha na transição do séc. V para o VI e vemos a história a desenrolar-se através dos seus olhos.

 

Sinceramente, este tipo de narrativa pode ser um deal breaker para mim, pois em situações de vida ou morte já sabemos qual será o desfecho, ou de outro modo seria outra pessoa a contar a história, mas aqui isso não me incomodou pois há muitas outras personagens com que me preocupei e queria saber que destino seria o delas, para além de que há tanto a acontecer que uma pessoa se deixa embrenhar completamente na história. Só chegava a lembrar-me de que a mesma estava a ser contada anos depois devido a alguns comentários do próprio Derfel ou quando, terminado uma parte, saímos da época de Artur para voltar para o "presente".

 

Este "presente", para dizer a verdade, foi mesmo das coisas que mais gostei e foi, por isso, que chegando ao fim constatei, com alguma tristeza, que não havia uma nova cena com Igraine, talvez a congratular-se com o facto de a história ter chegado ao fim e a apontar como Derfel contou alguma coisa mal, i.e. diferente da história cantada pelos bardos.

 

Derfel é uma personagem magnífica de seguir e é interessante acompanhar o seu crescimento. Adorei que ele fosse um cavaleiro capaz e um adulto responsável mas que, sempre que estava com Merlin, parecesse um rapazinho. Mas todas as personagens têm algo de fascinante, são carismáticas e tão bem desenvolvidas, são tão reais! Ceinwyn é um amor e tem uma personalidade tão forte, Lancelote é um estúpido idiota (mas onde está a surpresa?!), o Artur é quase que um Ned Stark que consegue manter a cabeça sobre os ombros por muito mais tempo (e sim, imaginei o Sean Bean porque não consigo desassociar o actor das personagens escritas por Bernard Cornwell) e a Guinevere, finalmente, conseguiu convencer-me! Sim, foram precisos os 3 livros mas é, muito provavelmente, a personagem mais bem construída de entre tantas!

 

Também foi um feito o autor conseguir fazer convergir todas as personagens que hoje associamos ao mito arturiano e outras que entretanto se perderam no tempo, assim como as várias histórias relacionadas com o mito. Podia tornar-se uma enorme salganhada mas o produto final é uma história coesa, pontuada por momentos de calma e outros que mudam completamente o rumo das coisas, sendo que, como Merlin diz por várias vezes, o destino é inexorável. As personagens servem a história e crescem com os acontecimentos por que passam e fiquei mesmo a pensar "pode ter sido esta a verdadeira história do Artur!"

 

E o retrato que o Bernard Cornwell faz da época! Ele retrata na perfeição um período conturbado. Um período pós domínio romano, que ainda se faz sentir na paisagem e leva, por diversas vezes, as personagens a perguntar-se como podem ter perdido tanto conhecimento. Um período em que a religião está por demais presente, é uma parte importantíssima do dia-a-dia das pessoas e vemos como uma nova religião ganha seguidores e coloca em causa todo um sistema prévio, onde a magia e a superstição têm um lugar fundamental em como as pessoas interagem com o mundo. Retrata um período em que as lutas são feitas corpo a corpo, com uma muralha de escudos e onde nem sempre se tomam prisioneiros. É um período brutal onde, saindo de um domínio romano, a Bretanha passa a ser assediada por Saxões. A sério, é um retrato da época por demais muito bem conseguido.

 

Enfim, esta trilogia foi, para mim, uma história perfeita. Foi tudo o que estava à espera e ainda mais. Bernard Cornwell, se já não fosse um dos meus autores preferidos, chegava directamente ao top 5 só com estes livros. Preciso de mais...

[Desafiam] Uma paixão chamada livros - # 20 Sequela que nunca devia ter sido impressa

por Carla B., em 26.02.16

Eis uma boa pergunta para a qual não sei se tenho resposta. Primeiro porque muitas das séries que leio acabam por ter volumes independentes entre si, em que personagens secundárias em alguns livros acabam por ser as principais noutro, como acontece com muito romance que anda por aí. Também se dá o caso de me ficar pelo primeiro livro (se é que chego a acabá-lo). No entanto, houve uma série cujo primeiro livro me fascinou mas os outros deixaram algo a desejar...

Depois de um primeiro livro que me deixou maravilhada por descobrir um novo mundo e com personagens fascinantes, estes dois deixaram-me decepcionada.

 

Imagens retiradas do Goodreads.