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Coisas que...

[Penso] Ainda sobre o "Harry Potter e a criança amaldiçoada" e a expansão de universos

por Carla B., em 03.05.17

Já faz uns meses que li a peça de teatro mas hoje tropecei neste vídeo na minha lista do Youtube para ver mais tarde (sim, estou uns valentes meses atrasada no que toca à visualização das minhas subscrições no Youtube e já muita coisa apaguei eu da lista).

 

A Rincey faz parte da equipa do Book Riot e é das poucas booktubers que sigo, pois não sou a maior fã deste meio de difusão, prefiro ler críticas. Nem todos os livros de que fala são do meu interesse mas revejo-me em algumas das suas opinões, como no caso presente. No entanto, o que me fez divulgar aqui o vídeo é a última parte, onde ela se debruça sobre a presente expansão de universos a que se assiste, tanto no meio editorial como cinematográfico.

 

 

Eu sou aquela pessoa que, se a J.K. Rowling publicar uma História de Hogwarts, irá comprar o livro mas muito sinceramente, não quero saber. Não me interessa ver o filme dos "Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los ", ou lá como é a tradução, apesar de ter o livro em casa. Não tenho grande interesse em aprofundar a relação entre o Dumbledore e o Grindelwald. Na verdade, até fico parva por não participar assim tanto no site Pottermore como pensava que viria a acontecer. Para mim acabou, aquela história chegou ao fim. Estes acrescentos pouco mais trazem e como a Rincey, muito provavelmente até virei a ler conforme me interessar.

 

Mas dá que pensar. Sobretudo quando vemos, tal como ela menciona, o James Bond ou, como aconteceu no ano passado ou há dois, "ressuscitam" o Poirot ou continuam uma série após a morte do autor. Entendo no caso do Robert Jordan e do Brandon Sanderson, o último já vinha a trabalhar na série Wheel of Time, e do Christopher Tolkien que edita e publica escritos do pai. Mas contratar alguém como fizeram para o último livro do Poirot, pensar que alguém pode pegar numa personagem de um autor que faleceu e criar assim uma obra... Acho que revela alguma desinspiração.

 

Sim, eu já li livros baseados nas personagens da Jane Austen e até livros da Jane Austen onde foram adicionados zombies, mas nunca foram das leituras mais memoráveis, de facto nunca chegaram perto do original, pelo/a escritor/a original. Sou das maiores consumidoras dos recontares de mitos e tal, mas não posso deixar de ficar algo inquieta quando vejo este tipo de situação. E como há autores que podiam perfeitamente ter o seu nome publicado de forma independente daqueles escritores que vieram antes e tanto impacto tiveram na cultura ocidental, escrevendo e desenvolvendo histórias suas e personagens seus.

 

Espero não dar a ideia de que não aprovo estes escritos. Acho que fanfiction é saudável, uma forma perfeitamente legítima de interagir com as personagens que tanto dizem a leitores, mas o facto de ver este tipo de leituras publicadas, ainda por cima de forma quase que "sancionada" (faltando melhor termo) deixa-me tão desanimada como a aparente falta de criatividade no cinema, que leva à mesma situação.

[Penso] A vida é injusta...

por Carla B., em 28.04.17

e ainda por cima demasiado curta. Sobretudo desde 2015 que tenho constatado de perto, bem de perto, este facto.

 

Sim, perdi pessoas antes, algumas deixaram um buraco enorme que não volta a ser preenchido, mas desde 2015 que tenho assistido, infelizmente, a um sofrimento tal, por parte das pessoas com quem convivo todos os dias e que vim a amar e admirar, que me tem levado a várias mudanças.

 

Começou pelo abandono de um cantinho e o surgimento deste. Ainda não consigo explicar porque tive de abandonar o outro, mas cada vez que lá volto sinto que já não me retrata. Sinto que já não sou aquela pessoa, que tinha começado a trabalhar e enfrentava a vida com esperança. A esperança, de resto, parece ter ido à vida.

 

Depois levou à sensação de estar presa, que levou a diversas conversas e que culminou na minha inscrição num mestrado. Está a dar-me um trabalhão do caraças, mas é tão recompensador! Assim como o é perceber que tenho a felicidade de fazer o que gosto, de aprender sobre coisas que me dão um gozo do caraças, que me levam a mexer em peças, e sei lá que mais coisas, que nunca pensei poder alguma vez fazer. Perceber que realmente dá para andar a escavar dentro de museus! Que o trabalho num museu é tão mais do que as exposições que mostra. Que muito desse trabalho envolve pó (e alergias) mas que é tão satisfatório! Que há tantas, mas tantas histórias para contar!

 

Por fim (ou será realmente o fim?), e para ganhar alguma espécie de controlo sobre o mundo, porque é possível ainda que o mundo tenha constantemente outros planos, fiz maluqueiras com o cabelo. Cortei-o bastante curto no passado mês de Outubro e há umas semanas ainda o cortei mais e fiz madeixas rosa. Por mim até pintava o cabelo todo, porque se a Helen Mirren o fez eu também posso, mas ter que descolorar o cabelo todo pareceu-me muito trabalhoso e aborrecido.

Life Plan

Imagem daqui.

 

Vejo agora a vida com outros olhos, lá está porque a vida é demasiado curta e injusta. Para quê todos os aborrecimentos, invejas e sei lá que mais? Sim, volta e meia passo-me mas respirar fundo tem ajudado a ganhar a compostura. Porque a vida é curta, tento seguir o conselho do Raul Solnado e estou decidida a fazer o favor de ser feliz.

[Penso] Quem corre por gosto...

por Carla B., em 11.03.17

... também cansa. É, sem dúvida, um tipo de cansaço diferente. É um daqueles cansaços que nos deixam com um sorriso, um sentimento de dever cumprido, de orgulho no que se acabou de fazer. Mas sim, até quem corre por gosto se cansa.

[Penso] Sobre ler os livros favoritos de alguém

por Carla B., em 05.03.17

Não escondo que o meu gosto por livros vem da minha mãe. E ainda hoje, apesar de ela já não ler (prefere dedicar-se a outras coisas, mais recentemente fez-me uma camisola, por isso nada contra ) é com ela que muitas vezes partilho as minhas leituras.

 

Tento fazê-lo como ela, contando a história toda (sim, devemos ser as campeãs a spoilar, mas que fique bem claro só ela me pode spoilar) e as emoções que tive ao ler. Foi assim que durante 20 anos conheci alguns livros, os preferidos dela: O Clã do Urso das Cavernas de Jean Auel, As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley, As Mulheres da Casa do Tigre de Mercedes Lackley, André Norton e Marion Zimmer Bradley, O Vale dos Cinco Leões de Ken Follet, O Perfume de Patrick Süskind, O Tesouro dos Czares de Konsalik e Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos.

 

Durante muito tempo fiquei reticente em ler aqueles livros, como a autora deste artigo, mas entretanto venci o medo (só me falta concluir a leitura de As Brumas de Avalon e ler os dois últimos) e descobri boas surpresas. Apesar de não ter gostado tanto daqueles títulos como a minha mãe, consegui perceber o que tanto ela gostou neles e assim senti-me mais próxima dela. Se custou falar do que achei, num caso ou outro? Um pouco, mas a partilha da experiência ainda enriqueceu mais a nossa ligação, acho eu, porque ao falarmos de algo em comum, de algo por vezes tão pessoal como a experiência da leitura, dá a conhecer um outro lado de nós que talvez não seja assim tão evidente, até para quem nos criou.

[Penso] Sozinha mas raramente só

por Carla B., em 23.02.17

23-Often-alone.jpg

 Visto aqui.

[Penso] Desabafo

por Carla B., em 17.02.17

Escrevi há tempos num bloco

Ser adulta é ouvir bocas e calar. É saber não perder as estribeiras enquanto, mentalmente, se manda toda a gente à merda.

Continuo a pensar isto, mas fica cada vez mais difícil reagir de tal modo.

 

Há dias... quer dizer, nem são dias...

 

Há sobretudo pessoas... Pessoas contra quem me apetece soltar a varina que há em mim, colocar as mãos na anca e apregoar que não sou eu que tenho de estar de consciência pesada por nada do que faça ou deixe de fazer. Afinal não fui eu que me enrolei com um homem casado. Mas isso seria descer ao nível dessa pessoa.

 

Há pessoas a quem me apetece dizer que se me invejam as "benesses" que tenho, também podiam invejar o meu trabalho. Aliás, por mim até trocava pois era da maneira que, saindo porta fora, acabavam-se as minhas preocupações, e não tinha, como tantas vezes acontece, que levar trabalho para casa. Mas isso é ter responsabilidades, e disso fogem eles a sete pés.

[Penso] Ora...

por Carla B., em 15.01.17

... parece que um semestre já está, só faltam outros três.

[Penso] Preguiça

por Carla B., em 13.02.16

Ter um monte de coisas para fazer e ficar antes no sofá a ver filmes ou episódios de séries que já foram vistas, ou com sorte apanhar algo novo na televisão.

 

Ter onde ir mas vontade nenhuma de sair de casa num dia cinzento.

 

Poder fazer um monte de coisas com um monte de pessoas, mas preferir ficar só.

[Penso] Ler em português

por Carla B., em 06.04.15

O último SLNB debruçou-se sobre autores lusófonos, tema de que pouco ou nada sei e não foi preciso o mês ter sido dedicado a tal coisa para me aperceber de tal. E mesmo o facto da Roda dos Livros ler e falar de autores portugueses, aparentemente bons autores portugueses, pode ter contribuído para o agudizar do sentimento de que estou a fazer alguma coisa de errada ao não conhecer praticamente nenhum nome dos autores contemporâneos, mas essa insatisfação, esse reconhecimento é algo que já vinha de trás.

 

Parece haver, instintivamente, algo que me afasta de autores que escrevem em português. Mas porquê? Terá sido o 'trauma' das leituras obrigatórias? O sentimento de que o que vem lá de fora é que é bom? A ideia de que a literatura por cá feita é para uma camada da população em que não me insiro? Essa elite letrada que desdenha o que as massas gostam? O facto de não haver histórias que me satisfaçam?

 

Mas como posso comprovar o último ponto se não leio? E porque não leio se já acho que mesmo no mercado anglo-saxónico só encontro mais (e mais e muito mais) do mesmo?

 

Após ter lido Eça e Mia Couto sinto que finalmente encontrei, se não a razão que me afasta, pelo menos as motivações que me vão (ou pelo menos espero fazer por isso) aproximar das leituras em português. Qualquer 'tipo' de português. E são elas:

  • a aproximação à realidade portuguesa - sinto que às vezes sei mais dos problemas e de como vive/viveu a sociedade anglo-saxónica, e apesar de muitas vezes os temas serem transversais a qualquer lugar e época, há detalhes que acabam por ser muito nossos dando uma outra dimensão à narrativa;
  • a musicalidade e a versatilidade da língua portuguesa - gosto de inglês, sinto que é uma língua que, como diriam os Clã, "fica sempre bem e nunca atraiçoa ninguém" mas o português também tem musicalidade nos seus vários 'sotaques' e talvez até uma maior versatilidade que o inglês. Acaba por ser uma enorme pena não o conhecer tão bem, porque sinto que desta forma não o domino como é suposto.

 

Agora só falta mesmo pôr a coisa em marcha. Atirar-me aos livros que tenho cá por casa e ler, para depois me debruçar sobre muitos outros. De modo suave, que uma mudança brusca de hábitos literários pode ter consequências nefastas para a mudança dos mesmos, mas se conseguir ler mais autores lusófonos do que li em anos anteriores (que deve perfazer a média de 1 ou 2 por ano) já não será uma batalha perdida.

Sobre mim

por Carla B., em 31.03.15

Nascida no grandioso ano de 1984, esta lisboeta desde sempre se viu enfiada em museus e palácios, rodeada de velharias e fascinada com o dia a dia e objectos dos seus antepassados. Pensando que poderia vir a utilizar o chicote na sua vida profissional (ah como a ficção engana!), foi com alguma decepção (mas não muita) que lhe viu serem passados picaretas, picos e vassouras para a mão nos estágios de Arqueologia (tortura mesmo, só com o material de desenho *oh o horror!*). Devido a vários factores, nomeadamente o de não gostar por aí além de torrar ao sol porque diz que tem pele sensível e tal, viu-se atirada novamente para dentro de museus acompanhada, mais uma vez, por velharias.

 

Os livros foram-lhe apresentados desde muito cedo e quando descobriu que lhe permitiam viajar no tempo, por entre mundos desconhecidos e ser pessoas que jamais pensou poder vir a ser, nunca mais os voltou a colocar de lado, a não ser que a cabeça não esteja para aí virada e prefira estimular o cérebro com imagens visionadas através do pequeno ou grande ecrã. Aí, é completamente fascinada por explosões e porrada. A sério, a história pode não ser grande coisa mas tenha explosões e porrada a intervalos regulares e esta moça está presa ao ecrã.

 

Não tem gostos requintados daí que leia, veja e oiça de tudo um pouco (ecletismo rulla!), consoante a sua disposição. Romances, thrillers, musicais, cenas clássicas... Aprecia tudo o que lhe chama a atenção, sobretudo se tem personagens inteligentes, que se desenrasquem pelos seus próprios meios e que cresçam ao longo da narrativa.

 

Já teve outros cantinhos mas depois resolveu criar este quando estava a precisar de mudar alguma coisa. Ainda pensou migrar o outro, mas e o trabalho que dava a pôr tudo certinho e endireitar as ligações, hem?! Por isso recomeçou do zero e não se considera arrependida.