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Coisas que...

[Penso] Quem corre por gosto...

por Carla B., em 11.03.17

... também cansa. É, sem dúvida, um tipo de cansaço diferente. É um daqueles cansaços que nos deixam com um sorriso, um sentimento de dever cumprido, de orgulho no que se acabou de fazer. Mas sim, até quem corre por gosto se cansa.

[Penso] Sobre ler os livros favoritos de alguém

por Carla B., em 05.03.17

Não escondo que o meu gosto por livros vem da minha mãe. E ainda hoje, apesar de ela já não ler (prefere dedicar-se a outras coisas, mais recentemente fez-me uma camisola, por isso nada contra ) é com ela que muitas vezes partilho as minhas leituras.

 

Tento fazê-lo como ela, contando a história toda (sim, devemos ser as campeãs a spoilar, mas que fique bem claro só ela me pode spoilar) e as emoções que tive ao ler. Foi assim que durante 20 anos conheci alguns livros, os preferidos dela: O Clã do Urso das Cavernas de Jean Auel, As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley, As Mulheres da Casa do Tigre de Mercedes Lackley, André Norton e Marion Zimmer Bradley, O Vale dos Cinco Leões de Ken Follet, O Perfume de Patrick Süskind, O Tesouro dos Czares de Konsalik e Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos.

 

Durante muito tempo fiquei reticente em ler aqueles livros, como a autora deste artigo, mas entretanto venci o medo (só me falta concluir a leitura de As Brumas de Avalon e ler os dois últimos) e descobri boas surpresas. Apesar de não ter gostado tanto daqueles títulos como a minha mãe, consegui perceber o que tanto ela gostou neles e assim senti-me mais próxima dela. Se custou falar do que achei, num caso ou outro? Um pouco, mas a partilha da experiência ainda enriqueceu mais a nossa ligação, acho eu, porque ao falarmos de algo em comum, de algo por vezes tão pessoal como a experiência da leitura, dá a conhecer um outro lado de nós que talvez não seja assim tão evidente, até para quem nos criou.

[Penso] Sozinha mas raramente só

por Carla B., em 23.02.17

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 Visto aqui.

[Penso] Desabafo

por Carla B., em 17.02.17

Escrevi há tempos num bloco

Ser adulta é ouvir bocas e calar. É saber não perder as estribeiras enquanto, mentalmente, se manda toda a gente à merda.

Continuo a pensar isto, mas fica cada vez mais difícil reagir de tal modo.

 

Há dias... quer dizer, nem são dias...

 

Há sobretudo pessoas... Pessoas contra quem me apetece soltar a varina que há em mim, colocar as mãos na anca e apregoar que não sou eu que tenho de estar de consciência pesada por nada do que faça ou deixe de fazer. Afinal não fui eu que me enrolei com um homem casado. Mas isso seria descer ao nível dessa pessoa.

 

Há pessoas a quem me apetece dizer que se me invejam as "benesses" que tenho, também podiam invejar o meu trabalho. Aliás, por mim até trocava pois era da maneira que, saindo porta fora, acabavam-se as minhas preocupações, e não tinha, como tantas vezes acontece, que levar trabalho para casa. Mas isso é ter responsabilidades, e disso fogem eles a sete pés.

[Penso] Ora...

por Carla B., em 15.01.17

... parece que um semestre já está, só faltam outros três.

[Penso] Preguiça

por Carla B., em 13.02.16

Ter um monte de coisas para fazer e ficar antes no sofá a ver filmes ou episódios de séries que já foram vistas, ou com sorte apanhar algo novo na televisão.

 

Ter onde ir mas vontade nenhuma de sair de casa num dia cinzento.

 

Poder fazer um monte de coisas com um monte de pessoas, mas preferir ficar só.

[Penso] Ler em português

por Carla B., em 06.04.15

O último SLNB debruçou-se sobre autores lusófonos, tema de que pouco ou nada sei e não foi preciso o mês ter sido dedicado a tal coisa para me aperceber de tal. E mesmo o facto da Roda dos Livros ler e falar de autores portugueses, aparentemente bons autores portugueses, pode ter contribuído para o agudizar do sentimento de que estou a fazer alguma coisa de errada ao não conhecer praticamente nenhum nome dos autores contemporâneos, mas essa insatisfação, esse reconhecimento é algo que já vinha de trás.

 

Parece haver, instintivamente, algo que me afasta de autores que escrevem em português. Mas porquê? Terá sido o 'trauma' das leituras obrigatórias? O sentimento de que o que vem lá de fora é que é bom? A ideia de que a literatura por cá feita é para uma camada da população em que não me insiro? Essa elite letrada que desdenha o que as massas gostam? O facto de não haver histórias que me satisfaçam?

 

Mas como posso comprovar o último ponto se não leio? E porque não leio se já acho que mesmo no mercado anglo-saxónico só encontro mais (e mais e muito mais) do mesmo?

 

Após ter lido Eça e Mia Couto sinto que finalmente encontrei, se não a razão que me afasta, pelo menos as motivações que me vão (ou pelo menos espero fazer por isso) aproximar das leituras em português. Qualquer 'tipo' de português. E são elas:

  • a aproximação à realidade portuguesa - sinto que às vezes sei mais dos problemas e de como vive/viveu a sociedade anglo-saxónica, e apesar de muitas vezes os temas serem transversais a qualquer lugar e época, há detalhes que acabam por ser muito nossos dando uma outra dimensão à narrativa;
  • a musicalidade e a versatilidade da língua portuguesa - gosto de inglês, sinto que é uma língua que, como diriam os Clã, "fica sempre bem e nunca atraiçoa ninguém" mas o português também tem musicalidade nos seus vários 'sotaques' e talvez até uma maior versatilidade que o inglês. Acaba por ser uma enorme pena não o conhecer tão bem, porque sinto que desta forma não o domino como é suposto.

 

Agora só falta mesmo pôr a coisa em marcha. Atirar-me aos livros que tenho cá por casa e ler, para depois me debruçar sobre muitos outros. De modo suave, que uma mudança brusca de hábitos literários pode ter consequências nefastas para a mudança dos mesmos, mas se conseguir ler mais autores lusófonos do que li em anos anteriores (que deve perfazer a média de 1 ou 2 por ano) já não será uma batalha perdida.

Sobre mim

por Carla B., em 31.03.15

Nascida no grandioso ano de 1984, esta lisboeta desde sempre se viu enfiada em museus e palácios, rodeada de velharias e fascinada com o dia a dia e objectos dos seus antepassados. Pensando que poderia vir a utilizar o chicote na sua vida profissional (ah como a ficção engana!), foi com alguma decepção (mas não muita) que lhe viu serem passados picaretas, picos e vassouras para a mão nos estágios de Arqueologia (tortura mesmo, só com o material de desenho *oh o horror!*). Devido a vários factores, nomeadamente o de não gostar por aí além de torrar ao sol porque diz que tem pele sensível e tal, viu-se atirada novamente para dentro de museus acompanhada, mais uma vez, por velharias.

 

Os livros foram-lhe apresentados desde muito cedo e quando descobriu que lhe permitiam viajar no tempo, por entre mundos desconhecidos e ser pessoas que jamais pensou poder vir a ser, nunca mais os voltou a colocar de lado, a não ser que a cabeça não esteja para aí virada e prefira estimular o cérebro com imagens visionadas através do pequeno ou grande ecrã. Aí, é completamente fascinada por explosões e porrada. A sério, a história pode não ser grande coisa mas tenha explosões e porrada a intervalos regulares e esta moça está presa ao ecrã.

 

Não tem gostos requintados daí que leia, veja e oiça de tudo um pouco (ecletismo rulla!), consoante a sua disposição. Romances, thrillers, musicais, cenas clássicas... Aprecia tudo o que lhe chama a atenção, sobretudo se tem personagens inteligentes, que se desenrasquem pelos seus próprios meios e que cresçam ao longo da narrativa.

 

Já teve outros cantinhos mas depois resolveu criar este quando estava a precisar de mudar alguma coisa. Ainda pensou migrar o outro, mas e o trabalho que dava a pôr tudo certinho e endireitar as ligações, hem?! Por isso recomeçou do zero e não se considera arrependida.

[Penso] Sorte

por Carla B., em 20.03.15

Luck is what happens when preparation meets opportunity.

Diz que foi Séneca quem o disse e só posso concordar com ele. Até que encontro outras pessoas com outro tipo de sorte. Digo isto porque a minha dá trabalho.

 

Sim, confesso que tenho uma sorte do caraças. Aquela sorte de estar no sítio certo à hora certa, de falar (quando não é trabalhar) por vezes com as pessoas certas. Mas a minha sorte acaba por me sair do corpo. Talvez para a justificar trabalho mais, esforço-me por ser o mais perfeita possível, faço tudo e mais alguma coisa, pergunto em que posso ajudar. Os outros que vou vendo, deitam-se à espera que a nova onda de sorte lhes venha cair no colo.

 

O mal é, com certeza, meu. Com a minha pouca auto-estima, pouca confiança nas minhas capacidades, sinto que apesar de algumas oportunidades aparentemente aparecerem à minha frente e serem à minha medida, haveria sempre alguém, em alguma parte, mais capaz que eu. E tento compensar isso. Para os outros, a sorte será uma coisa normal, o final mais que esperado para o que têm vindo a fazer (ou a não fazer).

 

Sim, o problema é meu. Da maneira como encaro a sorte. Tenho de passar a considerar que ela me é devida e não algo que advém de qualquer tipo de esforço e/ou qualidades que alguém possa ter.

[Penso] Ler quando não se tem tempo

por Carla B., em 15.03.15

A Diana do Papéis e Letras e parceira no Só Ler Não Basta, escreveu um interessante texto sobre "Ler quando não se tem tempo". Era para lhe responder nos comentários, mas como estava a ficar enorme e me pareceu que dava um bom post por aqui, hei-lo...

 

1 - Aproveitar as oportunidades em que não se está a fazer nada para ler - (...) leio (...) quando o sono não se apodera de mim. Às vezes lá calha...
O pior é quando ele se apodera e parece que se apodera SEMPRE! Nos últimos meses então o que tenho como quase certo é que uma página é garantidamente o caminho para adormecer. Não importa que depois durante a noite acorde e ande um pouco às voltas na cama, mal pegue no livro para tentar aproveitar o meu tipo de insónia, caio redonda a dormir.
2 - Estabelecer um horário de leitura- (...) O que decidi para mim foi estabelecer que depois do jantar não faço nada relacionado com o doutoramento. Posso aproveitá-lo como quiser: seja a ler, a actualizar o blog, a ver filmes, a actualizar os feeds, etc. 
Também tentei fazer isso, e até com sucesso, mas o pior é quando há prazos a cumprir, como tem acontecido nos últimos tempos. Em Abril a coisa já deve acalmar e posso retomar este ponto que, para mim, até acaba por parecer o que melhor resulta, para além de contribuir para a minha saúde mental, coisa que ultimamente tem andado muito mal (exactamente porque não tenho conseguido ler!) e que me faz andar numa pilha de nervos. :/
3 - Ler coisas que sabemos, à partida, que vamos gostar - Falo por mim, mas se tenho pouco tempo para ler quero gastá-lo em algo que, à partida, vou gostar. Seja porque se trata de um autor que gosto, um dos meus géneros literários favoritos, ou uma releitura. As releituras também contam. Quando temos pouco tempo para ler, penso que se torna frustrante quando nos apercebemos que estamos a ler algo que não nos está a apelar minimamente. Isto gera desânimo e falta de vontade de pegar nos livros, levando a que a leitura se arraste. Mas como saber se um livro é bom ou não é um bocado difícil, se vos calhar um assim não tenham medo: desistam dele. Eu faço-o, sem remorsos.
Ok, aqui não tenho nada a acrescentar. 
4 - Comecem por ler livros não muito grandes - Se não têm muito tempo e querem começar a ganhar algum ritmo, acho que ajuda termos a percepção de que lemos dois, três, quatro livros num mês, por exemplo. (...) Nada vos impede de ler calhamaços, às vezes sabe bem dedicar um período maior de tempo a um determinado livro. Mas se o objectivo for o de criar ritmo e hábitos de leitura, se calhar não é boa ideia. 
Faço aqui uma espécie de mea culpa. O último livro que li, O Primeiro Homem de Roma: o amor e o poder (e cujo título me faz sempre pensar nesta música), não era propriamente levezinho com 900 páginas e pesando algumas gramas que em nada contribuíram para a minha saúde, mas quis ler. Estava a precisar de me dedicar a um longo livro e ainda por cima debruçando-se sobre a sociedade romana, coisa útil para o trabalho, pelo que às vezes, com prazos a apertar não pegava no livro com sentimento de culpa porque "devia estar a trabalhar" mas entrava com uma mentalidade de "isto é pesquisa!" Claro que adormecia ao fim de 5 páginas ou parágrafos, mas pronto...
5 - Apostem noutros formatos - Como os audiobooks. (...) Com os audiobooks podem estar a fazer tarefas de casa ou à seca nas filas do trânsito enquanto ouvem um livro. Isto faz a leitura avançar, para além de ser outra forma de "ler", porventura a mais antiga. Afinal, antes da forma escrita, as histórias circulavam de forma oral, não é verdade?
Outro mea culpa. Ainda pensei dedicar-me aos audiobooks, e de certa forma até o fiz, só que em vez de ouvir livros tenho ouvido podcasts, muitos deles sobre livros. Já falei sobre eles aqui. Mas é um ponto que tenho de apostar, sem dúvida.
6 - Combinem leituras - Se sabem que têm um ou mais amigos que gostam de ler, porque não combinar uma leitura conjunta? Assim "obrigam-se" a ler porque têm alguém com quem discutir o livro e partilhar ideias. Comigo não aconteceu, mas é uma ideia interessante. É quase como ter companhia para fazer desporto: sozinha não vou, mas se tiver companhia até faço o esforço. Com a leitura pode ser igual, para algumas pessoas. Escolham um livro e combinem com amigos lerem a mesma coisa. É um incentivo à leitura e um exercício bom até para se perceber a quantidade de interpretações diferentes que um livro pode suscitar.
Posso dizer que apesar da boa vontade, isto nem sempre resulta, como a leitura de O Primeiro Homem de Roma, e outras que já tenho feito com a Slayra, o mostram. Mas é um exercício interessante e que suscita discussão, contribui para o crescimento como leitor.
7 - Participem em desafios - Eu decidi não participar em desafios nenhuns este ano, mas acabei por experimentar a Bout of Books em Janeiro. Em 2014 a coisa correu muito bem, mas este ano não sabia como iria resultar, embora tenha decidido que seria um bom exercício para ver como andava. Isto fez com que eu começasse a reservar tempo estritamente para ler (ver ali o ponto 2) e visse a leitura a avançar, estabelecendo uma rotina.
Também é uma boa solução. As maratonas não têm resultado comigo mas o ler x livros por ano ou livros fora dos géneros que leio têm, realmente, contribuído em determinadas alturas do ano em que leio menos, a tentar contrariar essa tendência e ler mais.
8 - Tenham noção da qualidade do vosso tempo livre - Quantas vezes me apercebo que estive duas horas ao computador sem fazer nada de útil ou de interessante? Duas horas perdidas sem acrescentar nada à minha vida, quando podia estar a ver um filme, quando podia ter saído para ir dar uma volta, ou a ler. Na era da comunicação, da internet, das redes sociais, é fácil dispersarmo-nos e distrairmo-nos com coisas que não nos acrescentam nada. Por isso, tentem aproveitar essas horas para fazer algo que vos distrai, relaxa, mas que vos acrescenta alguma coisa em vez que queimar neurónios sem propósito. Os neurónios são nossos amigos e os nossos livros merecem ser lidos. Vá. Saiam lá da internet...
Isto tenho feito nos últimos tempos. Tenho andado completamente alheada da internet e se a princípio começou por ser algo auto-imposto, ultimamente é porque não tenho paciência para estar à frente de um computador ou smartphone depois de um dia de trabalho, onde já passo horas a olhar para ecrãs. Tenho dado valor e tempo a outras coisas e se, sentia que estava a perder o que se passava nas redes sociais, agora acabo por pensar se não estarei a lançar algumas relações pela janela fora. Não dá para ter tudo, não é?
 
Pronto, parece-me que é tudo.