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Coisas que...

[Penso] Ler quando não se tem tempo

por Carla B., em 15.03.15

A Diana do Papéis e Letras e parceira no Só Ler Não Basta, escreveu um interessante texto sobre "Ler quando não se tem tempo". Era para lhe responder nos comentários, mas como estava a ficar enorme e me pareceu que dava um bom post por aqui, hei-lo...

 

1 - Aproveitar as oportunidades em que não se está a fazer nada para ler - (...) leio (...) quando o sono não se apodera de mim. Às vezes lá calha...
O pior é quando ele se apodera e parece que se apodera SEMPRE! Nos últimos meses então o que tenho como quase certo é que uma página é garantidamente o caminho para adormecer. Não importa que depois durante a noite acorde e ande um pouco às voltas na cama, mal pegue no livro para tentar aproveitar o meu tipo de insónia, caio redonda a dormir.
2 - Estabelecer um horário de leitura- (...) O que decidi para mim foi estabelecer que depois do jantar não faço nada relacionado com o doutoramento. Posso aproveitá-lo como quiser: seja a ler, a actualizar o blog, a ver filmes, a actualizar os feeds, etc. 
Também tentei fazer isso, e até com sucesso, mas o pior é quando há prazos a cumprir, como tem acontecido nos últimos tempos. Em Abril a coisa já deve acalmar e posso retomar este ponto que, para mim, até acaba por parecer o que melhor resulta, para além de contribuir para a minha saúde mental, coisa que ultimamente tem andado muito mal (exactamente porque não tenho conseguido ler!) e que me faz andar numa pilha de nervos. :/
3 - Ler coisas que sabemos, à partida, que vamos gostar - Falo por mim, mas se tenho pouco tempo para ler quero gastá-lo em algo que, à partida, vou gostar. Seja porque se trata de um autor que gosto, um dos meus géneros literários favoritos, ou uma releitura. As releituras também contam. Quando temos pouco tempo para ler, penso que se torna frustrante quando nos apercebemos que estamos a ler algo que não nos está a apelar minimamente. Isto gera desânimo e falta de vontade de pegar nos livros, levando a que a leitura se arraste. Mas como saber se um livro é bom ou não é um bocado difícil, se vos calhar um assim não tenham medo: desistam dele. Eu faço-o, sem remorsos.
Ok, aqui não tenho nada a acrescentar. 
4 - Comecem por ler livros não muito grandes - Se não têm muito tempo e querem começar a ganhar algum ritmo, acho que ajuda termos a percepção de que lemos dois, três, quatro livros num mês, por exemplo. (...) Nada vos impede de ler calhamaços, às vezes sabe bem dedicar um período maior de tempo a um determinado livro. Mas se o objectivo for o de criar ritmo e hábitos de leitura, se calhar não é boa ideia. 
Faço aqui uma espécie de mea culpa. O último livro que li, O Primeiro Homem de Roma: o amor e o poder (e cujo título me faz sempre pensar nesta música), não era propriamente levezinho com 900 páginas e pesando algumas gramas que em nada contribuíram para a minha saúde, mas quis ler. Estava a precisar de me dedicar a um longo livro e ainda por cima debruçando-se sobre a sociedade romana, coisa útil para o trabalho, pelo que às vezes, com prazos a apertar não pegava no livro com sentimento de culpa porque "devia estar a trabalhar" mas entrava com uma mentalidade de "isto é pesquisa!" Claro que adormecia ao fim de 5 páginas ou parágrafos, mas pronto...
5 - Apostem noutros formatos - Como os audiobooks. (...) Com os audiobooks podem estar a fazer tarefas de casa ou à seca nas filas do trânsito enquanto ouvem um livro. Isto faz a leitura avançar, para além de ser outra forma de "ler", porventura a mais antiga. Afinal, antes da forma escrita, as histórias circulavam de forma oral, não é verdade?
Outro mea culpa. Ainda pensei dedicar-me aos audiobooks, e de certa forma até o fiz, só que em vez de ouvir livros tenho ouvido podcasts, muitos deles sobre livros. Já falei sobre eles aqui. Mas é um ponto que tenho de apostar, sem dúvida.
6 - Combinem leituras - Se sabem que têm um ou mais amigos que gostam de ler, porque não combinar uma leitura conjunta? Assim "obrigam-se" a ler porque têm alguém com quem discutir o livro e partilhar ideias. Comigo não aconteceu, mas é uma ideia interessante. É quase como ter companhia para fazer desporto: sozinha não vou, mas se tiver companhia até faço o esforço. Com a leitura pode ser igual, para algumas pessoas. Escolham um livro e combinem com amigos lerem a mesma coisa. É um incentivo à leitura e um exercício bom até para se perceber a quantidade de interpretações diferentes que um livro pode suscitar.
Posso dizer que apesar da boa vontade, isto nem sempre resulta, como a leitura de O Primeiro Homem de Roma, e outras que já tenho feito com a Slayra, o mostram. Mas é um exercício interessante e que suscita discussão, contribui para o crescimento como leitor.
7 - Participem em desafios - Eu decidi não participar em desafios nenhuns este ano, mas acabei por experimentar a Bout of Books em Janeiro. Em 2014 a coisa correu muito bem, mas este ano não sabia como iria resultar, embora tenha decidido que seria um bom exercício para ver como andava. Isto fez com que eu começasse a reservar tempo estritamente para ler (ver ali o ponto 2) e visse a leitura a avançar, estabelecendo uma rotina.
Também é uma boa solução. As maratonas não têm resultado comigo mas o ler x livros por ano ou livros fora dos géneros que leio têm, realmente, contribuído em determinadas alturas do ano em que leio menos, a tentar contrariar essa tendência e ler mais.
8 - Tenham noção da qualidade do vosso tempo livre - Quantas vezes me apercebo que estive duas horas ao computador sem fazer nada de útil ou de interessante? Duas horas perdidas sem acrescentar nada à minha vida, quando podia estar a ver um filme, quando podia ter saído para ir dar uma volta, ou a ler. Na era da comunicação, da internet, das redes sociais, é fácil dispersarmo-nos e distrairmo-nos com coisas que não nos acrescentam nada. Por isso, tentem aproveitar essas horas para fazer algo que vos distrai, relaxa, mas que vos acrescenta alguma coisa em vez que queimar neurónios sem propósito. Os neurónios são nossos amigos e os nossos livros merecem ser lidos. Vá. Saiam lá da internet...
Isto tenho feito nos últimos tempos. Tenho andado completamente alheada da internet e se a princípio começou por ser algo auto-imposto, ultimamente é porque não tenho paciência para estar à frente de um computador ou smartphone depois de um dia de trabalho, onde já passo horas a olhar para ecrãs. Tenho dado valor e tempo a outras coisas e se, sentia que estava a perder o que se passava nas redes sociais, agora acabo por pensar se não estarei a lançar algumas relações pela janela fora. Não dá para ter tudo, não é?
 
Pronto, parece-me que é tudo.

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