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Coisas que...

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06
Abr15

[Penso] Ler em português

Carla B.

O último SLNB debruçou-se sobre autores lusófonos, tema de que pouco ou nada sei e não foi preciso o mês ter sido dedicado a tal coisa para me aperceber de tal. E mesmo o facto da Roda dos Livros ler e falar de autores portugueses, aparentemente bons autores portugueses, pode ter contribuído para o agudizar do sentimento de que estou a fazer alguma coisa de errada ao não conhecer praticamente nenhum nome dos autores contemporâneos, mas essa insatisfação, esse reconhecimento é algo que já vinha de trás.

 

Parece haver, instintivamente, algo que me afasta de autores que escrevem em português. Mas porquê? Terá sido o 'trauma' das leituras obrigatórias? O sentimento de que o que vem lá de fora é que é bom? A ideia de que a literatura por cá feita é para uma camada da população em que não me insiro? Essa elite letrada que desdenha o que as massas gostam? O facto de não haver histórias que me satisfaçam?

 

Mas como posso comprovar o último ponto se não leio? E porque não leio se já acho que mesmo no mercado anglo-saxónico só encontro mais (e mais e muito mais) do mesmo?

 

Após ter lido Eça e Mia Couto sinto que finalmente encontrei, se não a razão que me afasta, pelo menos as motivações que me vão (ou pelo menos espero fazer por isso) aproximar das leituras em português. Qualquer 'tipo' de português. E são elas:

  • a aproximação à realidade portuguesa - sinto que às vezes sei mais dos problemas e de como vive/viveu a sociedade anglo-saxónica, e apesar de muitas vezes os temas serem transversais a qualquer lugar e época, há detalhes que acabam por ser muito nossos dando uma outra dimensão à narrativa;
  • a musicalidade e a versatilidade da língua portuguesa - gosto de inglês, sinto que é uma língua que, como diriam os Clã, "fica sempre bem e nunca atraiçoa ninguém" mas o português também tem musicalidade nos seus vários 'sotaques' e talvez até uma maior versatilidade que o inglês. Acaba por ser uma enorme pena não o conhecer tão bem, porque sinto que desta forma não o domino como é suposto.

 

Agora só falta mesmo pôr a coisa em marcha. Atirar-me aos livros que tenho cá por casa e ler, para depois me debruçar sobre muitos outros. De modo suave, que uma mudança brusca de hábitos literários pode ter consequências nefastas para a mudança dos mesmos, mas se conseguir ler mais autores lusófonos do que li em anos anteriores (que deve perfazer a média de 1 ou 2 por ano) já não será uma batalha perdida.

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