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Coisas que...

Coisas que...

10
Jul17

[Ouvi/Li] "Sacred Hearts" de Sarah Dunant

Carla B.

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Retirada daqui.


Ena pá, é o segundo áudio-livro que oiço em muito tempo! Felizmente o trabalho permite-me que vá ouvindo coisas e após colocar os podcasts em dia (que entretanto voltaram a deixar de estar) lá parti para mais um livro desta autora que me conquistou com o seu O Nascimento de Vénus. E eis que me volta a conquistar, desta vez com o retrato da vida num convento feminino em Ferrara, no séc. XVI.

A descrição do dia-a-dia pareceu-me muito bem caracterizado, assim como o espaço que nunca se torna opressivo. Nunca temos vislumbres da cidade fora das 4 paredes do convento mas estas nunca parecem totalmente intransponíveis, sendo que a vida laica entra em determinados momentos no convento. Também parece existir uma certa aura de misticismo sem que a religião domine o livro. É sem dúvida das partes mais importantes deste romance, no entanto, o ponto forte desta história será sem dúvida as personagens e os laços que as unem. Destaca-se a amizade, ou melhor o entendimento entre Serafina e Zuana, que muito se parece com a relação de uma pupila e a sua mestre, sendo que a impetuosidade e vida de uma complementa a complacência e certa resignação da outra.

Serafina é mandada para o convento de Santa Caterina por a sua família não possuir dinheiro para dois dotes de casamento para as suas filhas e por se relacionar de forma amorosa com o músico da família. É claro que é mandada a contragosto e é Zuana, a freira que tem a seu cargo o dispensário e que cuida da saúde física das restantes irmãs, que a tenta ajudar a encontrar o seu caminho.

Foi interessante ver como um espaço fechado, com regras rígidas a reger toda a vida e mesmo o horário destas freiras, podia acabar por ser um espaço de liberdade, onde mulheres podiam seguir a sua inclinação pessoal para o estudo ou gerência. As conversas entre Zuana e Madonna Chiara eram bastante interessantes neste aspecto, sobretudo dando a perceber os efeitos da Contra-Reforma num lugar (refúgio?) como este. É sobretudo neste ponto que a religião mais salta à vista e até ligada à política, não só devido às facções no interior do convento, mas por vermos também como a sociedade entra nos conventos, pequenos pontos de poder onde também as grandes famílias que dominavam o comércio, política e arte se pretendiam imiscuir.

É a meu ver um excelente retrato e uma belíssima história. A narradora faz também um trabalho notável, dotando cada personagem de uma voz e força distinta.

17
Jun17

[Vi] "Mulher-Maravilha"

Carla B.

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Visto aqui


Já por aqui tenho dito que eu sou mais Marvel que DC mas tenho que me confessar surpreendida por ter gostado deste filme. Em relação a outros da DC parece ter uma atmosfera mais leve, ainda que não tenha rido com nenhuma das piadas ainda que sejam bem conseguidas.

Pouco ou nada conheço da personagem principal, mas gostei da sua inocência quanto ao mundo humano e da confiança em si mesma. As restantes personagens cumprem bem o seu propósito e o enredo entretém, ainda que tenha percebido quem era o Ares assim que o ator apareceu em cena e a Mulher-Maravilha pareça sofrer também do Síndroma Frozen, ainda que seja um pouco mais convincente do que o Peter Quill.

30
Abr17

[Vi] "Guardiões da Galáxia Vol. 2"

Carla B.

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Imagem daqui.

 

Eis algo de que não estava à espera, de chorar com o segundo filme de "Guardiões da Galáxia". E de facto, durante a maior parte do filme fartei-me foi de rir. As piadas estão muito bem conseguidas, o timing é perfeito, e o Drax (Dave Bautista) tem tiradas fenomenais. Ele e o Baby Groot foram o que mais gostei no filme! Mas o final partiu-me o coração, que já de si estava partido, pois toda a atmosfera está muito próxima de algo que vivi muito recentemente.

 

Parece-me um filme bem conseguido, ainda que a início a história pareça algo inconsequente e sofra do que eu agora chamo de Síndroma Frozen, onde uma personagem descobre o amor e de repente sabe dominar TODOS os seus poderes. Tem algumas aparições que eu NÃO ESTAVA DE TODO À ESPERA e foram brilhantes! Responde a algumas questões, coloca outras, há sequências e revelações que se adivinham à distância... enfim, nada que não seja hábito num filme da Marvel.

 

Em conversa com o meu irmão percebi de facto como por vezes procuramos coisas diferentes nos mesmos filmes. Ele é mais DC, atmosfera mais dramática, temas mais densos, e eu sou mais Marvel, fogo de artifício, situações over the top e cenas hilariantes. Não quer dizer que não goste de coisas mais sérias, porque gosto, mas também gosto de entretenimento que não me faça pensar muito e me deslumbre. Ao ver um dos trailers que passaram antes do filme, o do "King Arthur: Legend of the Sword" do Guy Ritchie, percebi o quanto por vezes não me interessa que não tenham rigor histórico, histórias dramáticas e sei lá que mais. Há filmes que são apenas mindless fun e por vezes são exactamente o que eu procuro e adoro.

 

"Guardiões da Galáxia Vol. 2" é um exemplo de tal, mesmo comigo a chorar como uma Maria Madalena no final.

03
Mar17

[Li] "Harry Potter e a criança amaldiçoada" de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Carla B.

Seria muito difícil para mim não ler este livro. Os livros do Harry Potter foram uma parte importante do meu crescimento, de tal modo que deixaram um vazio que, parece-me, ainda não foi suplantado. E provavelmente nunca será, pois duvido que novos livros tenham o mesmo efeito. Terão outros, até porque estes também não suplantaram o buraco que se me abriu no peito com A Lua de Joana. Há livros e há momentos perfeitos para ler esses livros. Outros livros terão os seus momentos, tenho a certeza disso.

 

Tirado daqui.

 

Sabia que esta história não poderia ser comparada aos outros 7, primeiro porque o formato é completamente diferente, uma peça de teatro, e segundo, as personagens não seriam, certamente, as mesmas. E não são. São pais, são adultos com outro tipo de responsabilidades. Tenho de confessar que gostei desta última parte, mas infelizmente senti que a peça de teatro não terá sido o melhor meio para explorar a história. Acredito que assistir à sua performance poderá ter um outro impacto completamente diferente, mas em termos de exploração da relação das personagens (e que relações haveria a explorar!) soube-me francamente a pouco.

 

Quanto à história em si… Bem, é melhor avisar que vou falar de algumas reviravoltas do enredo.

 

 

01
Mar17

[Li] "A doença, o sofrimento e a morte entram num bar" de Ricardo Araújo Pereira

Carla B.

O meu irmão não lê. Raramente tem paciência e prefere divertir-se de outro modo. Nada contra, ele também gosta de videojogos e eu sou uma inapta e por isso não aprecio por aí além, prefiro vê-lo a jogar e acompanho a história como se estivesse a ver um filme. Mas há um senão no que toca a ele não ler… Não posso falar dos livros que li com ele quando preciso MESMO de falar com alguém sobre o que acabei de ler!

Visto aqui

 

No entanto ofereci este pequeno livro ao meu irmão pelo Natal e pasme-se, chegou o ano novo e ele leu-o! Na verdade foi uma aposta, podemos dizer, calculada. Sei que o meu irmão gosta do Ricardo Araújo Pereira, o rapaz até comprou um livro que o Ricardo Araújo Pereira mencionou num Governo Sombra… e começou a lê-lo! É certo que ainda não acabou, ele começou a lê-lo em setembro, salvo erro, e até agora ainda não deve ter chegado à página 100, mas estamos a falar de O Bom Soldado Švejk, que deve ter umas 800 páginas, e de alguém que não está habituado a ler. Para mim, toda esta empresa já é uma vitória e quem sabe, o rapaz até pode vir a tornar-se um leitor! Eu pelo menos agradeço que por uma vez não seja eu a trazer livros para casa, que o orçamento já viu melhores dias.

 

Mas dizia que foi uma aposta calculada. Claro que pensei que a empresa de O Bom Soldado Švejk seria algo para durar algum tempo, mas vi uma oportunidade e quando vi o livro do Ricardo Araújo Pereira nem pensei duas vezes. Um livro curto, tipo ensaio (talvez convenha também dizer que o meu irmão parece ser mais de não-ficção nas suas leituras, ainda que não tenha feito tantas como isso, porque lá está, o moço pouco ou nada lê), por uma personalidade que gosta de ouvir e admira. Tinha tudo para correr certo e felizmente correu! Até ao momento nada me soube tão bem (ok, consigo pensar em outras coisas que durante o mês de janeiro também me fizeram sentir muito bem) como o meu irmão vir ter comigo e dizer "Já li, é um bom livro. Já conhecia muitas das situações e piadas que explora mas é uma visão interessante sobre o riso e o humor", ou algo assim parecido.

 

E basicamente é isto que tenho a dizer sobre o livro. Também já contei a história de ter sido apresentada à Lídia Jorge enquanto o lia e pouco mais há a dizer. Há livros em que é o contexto como ele surge na nossa vida ou a altera, o que acontece à nossa volta ou a nós mesmos enquanto o lemos que importa. Este para mim será um desses livros.

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