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Coisas que...

Coisas que...

07
Ago17

[Penso] Enquanto leio...

Carla B.

Ler livros do J.G. Ballard é como olhar para um acidente e não conseguir desviar o olhar. Em Crash é quase que literal.

Não sei o que é que a sua escrita crua, e neste caso praticamente pornográfica, tem de especial. Não sei como consegue enojar-me e deleitar-me ao mesmo tempo. Não sei o que tal poderá dizer sobre mim.

Mas sei que quero mais. Que quero ler tudo o que escreveu. Que quero parar o que estou a fazer e dedicar-me à leitura (sem adormecer de tão cansada como chego ao fim do dia).

Já com Arranha-Céus senti o mesmo. Agora vou a meio de Crash e continuo a achar o mesmo. Nunca vou conseguir descrever de forma coerente o que a escrita de Ballard me faz sentir, pensar. Nunca vou conseguir exprimir porque e como se tornou num dos meus autores favoritos.

26
Jul17

[Desafiam] Book Bingo | Leituras ao Sol - Actualização #1

Carla B.

Passando pouco mais de um mês desde o início deste desafio, achei por bem fazer uma atualização até porque, como sempre acontece, até posso ter planos mas nunca os respeito! Neste caso, comecei por pegar em livros e categorias que não tinha ainda decidido ler, contrariando a listagem que havia feito aqui.

No entanto, a coisa está a correr muito bem (demasiado bem ), veja-se o estado do cartão neste momento:

BookBingo_LeiturasAoSol-1.png

Encontram-se preenchidas as categorias:

 

Capa que te lembre o verão

 

Para desanuviar e fazer jus ao tempo que faz lá fora, comecei um romance contemporâneo bastante leve. A história de Sweet Contradiction não é nada de especial - rapariga de cidade pequena e com pais conservadores, regressa à cidade natal depois de anos fora e encontra o amor da sua vida - mas a química entre as personagens e alguns dos seus dramas (nomeadamente a perda de alguém) foram suficientes para me manterem interessada no que estaria reservado para as personagens.

Passado num continente diferente

 

Podia ter sido tão mais inventiva nesta categoria mas, depois de ter ficado tão agradada com Sweet Contradiction, senti a necessidade de continuar a 'série' e saber o que aconteceria com outras duas personagens. Achei Perfect Contradiction menos conseguido, a história pareceu-me muito mais forçada, a química inexistente e a voz interior da personagem feminina em pouco se diferenciava da do livro anterior, de tal modo que em diversos momentos, quando ambas estavam juntas, esquecia-me qual delas é que estava a seguir.

Adaptado TV/Cinema

 

Trouxe este livro da biblioteca por impulso e não me arrependo. Havia já bastante tempo que havia visto o filme "As Cinzas de Ângela", de que gostei bastante e, desde então que dizia para mim que leria o livro. Lembrava-me apenas de que a história era triste e de que havia muita miséria, e realmente assim acontece, ainda que tudo nos seja relatado com a inocência e esperança de uma criança. No entanto, quando chega aos 14/16 anos, o mesmo tom inocente já não funciona tão bem. Não sei até que ponto estas memórias do autor serão verdadeiras, mas sem dúvida de que aconselho que lhe dêem uma hipótese. Ou ao filme...

Recomendado

 

Já falei sobre Os viajantes e o 'livro dos museus'  aqui.

Emprestado

 

Também já falei sobre Viver e resistir no tempo de Salazar. Histórias de vida contadas na primeira pessoa no mesmo post acima.

Ainda não há linhas feitas mas o que estou a ler de momento pode ser colocado ali no "género preferido" pelo que pode não faltar muito...

24
Jul17

[Desafiam] 24 in 48 Readathon

Carla B.

Depois de me ter corrido bastante bem a primeira experiência nesta maratona literária, voltando ela a ocorrer não podia deixar passá-la.

Desta vez o objectivo era simplesmente ler. Tendo em conta que foi o primeiro fim-de-semana completo que tive em Julho, sabia que não passaria grande parte do tempo a ler, porque teria outras coisas para fazer, como pôr o Youtube e o Feedly em dia (alas, ainda não foi desta...), ou vegetar em frente da televisão.

Propus-me então a ler dois livros, que tinha de devolver esta semana à biblioteca, mas pasme-se, li mais do que estava à espera! No total li cerca de 12 horas, acabei dois livros, um deles lido integralmente durante a maratona, li 18% de um e-book e cerca de 120 páginas de The Eyre Affair do Jasper Fforde.


Para mim foi um sucesso! Venha a próxima!

Sobre os livros em si...

Comecei por pegar em Os viajantes e o 'livro dos museus' de João Carlos Brigola, que me havia sido recomendado num seminário do curso de mestrado. Tinha tudo para eu gostar, já que se trata da selecção de escritos epistolares e de diários de viagem, estilos que aprecio bastante, que se debruçam sobre colecções e museus em Portugal nos séculos XVIII e XIX. No entanto, e apesar de conhecer bastante das mesmas colecções e museus retratados, sinto que poderia ter sido dado o contexto dos mesmos, apresentando não os escritos de forma cronológica mas de acordo com o objecto da descrição. Assim, acaba por ser interessante por mostrar como que uma evolução geral da museologia em Portugal, mas os detalhes de cada instituição/colecção acabam por se perder. É sem dúvida uma leitura para quem já conhece o panorama e não para quem procura uma primeira abordagem.

Seguiu-se Viver e resistir no tempo de Salazar. Histórias de vida contadas na primeira pessoa, por Maria Alice Samara e Raquel Pereira Henriques. O livro divide-se em duas partes - "viver" e "resistir" - e conta com excertos de entrevistas levadas a cabo pelas autoras a 20 pessoas, algumas delas bem conhecidas dos meios políticos e sociais, que dão a conhecer como foi viver durante o período de ditadura fascista. Confesso que me interessou mais a primeira parte, em que revi muito do que oiço a minha avó e outras pessoas da sua faixa etária contarem, nomeadamente no que ao quotidiano diz respeito, mas a segunda parte também tem o seu interesse, mais não seja por manter viva a memória de um tempo de resistência, e de como essa resistência leva a mudanças. Este sim, parece-me ser bastante útil para quem pretende iniciar um estudo sobre a época. Tinha algum receio que fosse maçudo mas não, pelo contrário é bastante acessível, muito coloquial e dinâmico, quase que como um ouvir contar histórias.

Quanto ao e-book, tenho de confessar que desisti aos 18%. At Any Price de Brenna Aubrey foi a escolha para o Vaginal Fantasy do mês de Julho e, estando disponível na loja da Amazon para o Kindle (apesar de o meu ter falecido... paz à sua alma...), bem como querendo eu ouvir falar de livros (tenho saudades do SLNB ), achei que poderia aproveitar. No entanto, em cerca de hora e meia revirei tanto os olhos (que até pensei que poderia vir a fazer um drinking game bebendo cada vez que aparecia uma situação de fazer revirar os olhinhos) que fui espreitar o tópico de discussão (link tem spoilers) no grupo do Goodreads, para ver o que me esperava. Vendo pessoas com os mesmos problemas que eu estava a ter com o livro e spoilando-me para ver se o resto valia a pena, resolvi ficar por ali.

Assim, passei para a escolha de livro alternativa do mesmo grupo, e até agora estou a gostar bastante.

10
Jul17

[Ouvi/Li] "Sacred Hearts" de Sarah Dunant

Carla B.

6676815.jpg

Retirada daqui.


Ena pá, é o segundo áudio-livro que oiço em muito tempo! Felizmente o trabalho permite-me que vá ouvindo coisas e após colocar os podcasts em dia (que entretanto voltaram a deixar de estar) lá parti para mais um livro desta autora que me conquistou com o seu O Nascimento de Vénus. E eis que me volta a conquistar, desta vez com o retrato da vida num convento feminino em Ferrara, no séc. XVI.

A descrição do dia-a-dia pareceu-me muito bem caracterizado, assim como o espaço que nunca se torna opressivo. Nunca temos vislumbres da cidade fora das 4 paredes do convento mas estas nunca parecem totalmente intransponíveis, sendo que a vida laica entra em determinados momentos no convento. Também parece existir uma certa aura de misticismo sem que a religião domine o livro. É sem dúvida das partes mais importantes deste romance, no entanto, o ponto forte desta história será sem dúvida as personagens e os laços que as unem. Destaca-se a amizade, ou melhor o entendimento entre Serafina e Zuana, que muito se parece com a relação de uma pupila e a sua mestre, sendo que a impetuosidade e vida de uma complementa a complacência e certa resignação da outra.

Serafina é mandada para o convento de Santa Caterina por a sua família não possuir dinheiro para dois dotes de casamento para as suas filhas e por se relacionar de forma amorosa com o músico da família. É claro que é mandada a contragosto e é Zuana, a freira que tem a seu cargo o dispensário e que cuida da saúde física das restantes irmãs, que a tenta ajudar a encontrar o seu caminho.

Foi interessante ver como um espaço fechado, com regras rígidas a reger toda a vida e mesmo o horário destas freiras, podia acabar por ser um espaço de liberdade, onde mulheres podiam seguir a sua inclinação pessoal para o estudo ou gerência. As conversas entre Zuana e Madonna Chiara eram bastante interessantes neste aspecto, sobretudo dando a perceber os efeitos da Contra-Reforma num lugar (refúgio?) como este. É sobretudo neste ponto que a religião mais salta à vista e até ligada à política, não só devido às facções no interior do convento, mas por vermos também como a sociedade entra nos conventos, pequenos pontos de poder onde também as grandes famílias que dominavam o comércio, política e arte se pretendiam imiscuir.

É a meu ver um excelente retrato e uma belíssima história. A narradora faz também um trabalho notável, dotando cada personagem de uma voz e força distinta.

28
Jun17

[Pondero] TAG dos 50% - 2017

Carla B.

Não sou de fazer este tipo de coisas mas pensei "e porque não"? Não é que tenha resposta para muitas destas questões mas sempre dá para falar um pouco do que tenho vindo a ler.

Vi no canal da Joana - Ler Com Lobos, onde podem encontrar quem criou e traduziu. Ela adaptou também algumas perguntas, mas vamos ao que interessa...

1. O melhor livro que você leu até agora, em 2017.

Não é propriamente um livro mas não há volta a dar, todos os que li do George R.R. Martin este ano, ou seja de A Tormenta de Espadas a Os Reinos do Caos.

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2017.

Vide resposta anterior.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.

Epá, eu ando muito por fora do que tem vindo a ser publicado mas do que tenho visto, talvez o do Rodrigo Guedes de Carvalho. Tenho o primeiro livro dele por ler, cá em casa, mas foi uma compra da minha mãe porque não me chamou tanto a atenção como a ela. Já este último, confesso que fiquei bastante mais curiosa e estive quase para o trazer durante a Feira do Livro.

Se falarmos de livros que saíram em Portugal este ano mas que já tinham saído lá por fora, ora de momento só me lembro de Uma Magia Mais Escura e o Nimona.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre.

Lá está, também não faço ideia.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano.

O que estou a ler neste momento, Persephone por Julian Stockwin. É certo que ainda só vou a meio, mas eu à espera de um Sharpe do Bernard Cornwell e sai-me um muito mau amanhado Persuasão da Jane Austen.

Também estava à espera de outra coisa ao ler Museums and the Interpretation of Visual Culture. E não falemos de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano.


Racismos de Francisco Bethencourt, apesar de ter demorado 2 meses a lê-lo, foram 2 meses bem empregues. A análise que faz da evolução da visão do outro, do preconceito, e a chegada à teoria das raças, passando pelos mais bárbaros actos que se fizeram, em toda a Humanidade, contra seres humanos... É uma análise bastante pertinente, que faz avaliar os nossos próprios preconceitos, como muitos são moldados pela sociedade, e qual a sua raiz. Num momento em que, mais que tudo, é preciso acolher o outro, aconselho sem dúvida esta leitura, que de resto serviu de ponto de partida para uma exposição que se encontra patente no Padrão dos Descobrimentos, em Belém (Lisboa).

Também me surpreendeu Didáctica del Museo: el descubrimiento de los objectos, por focar um tema que me interessa profissionalmente. Acabou por ser o que esperava que Museums and the Interpretation of Visual Culture tivesse sido.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente).

O que tenho lido é sobretudo autores de que já conhecia a escrita, e os novos que tenho lido não têm sido particularmente marcantes.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.

Nenhum.

9. Seu personagem favorito mais recente.

Não é propriamente favorito e não é propriamente recente, mas o arco do Theon em As Crónicas de Gelo e Fogo foi das coisas que mais gosto me deu ler este ano e foi a personagem que, de longe, mais gostei de acompanhar.

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre.

Sinceramente não me recordo. Tenho chorado muito mas (infelizmente) não têm sido os livros a provocar-me as lágrimas.

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre.

Apesar de não ter gostado, talvez tenha sido Harry Potter e a Criança Amaldiçoada a deixar-me mais feliz. A expectativa de regressar a Hogwarts, acompanhar personagens que tanto me marcaram...

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2017.

Não faço ideia. Tenho visto algumas adaptações mas ainda não li os livros que lhes deram origem. Penso que o único que vi e li foi A Rapariga com Brinco de Pérola mas nem livro nem filme foram memoráveis.l

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo).

Até agora a que mais gostei de ver foi a da Rincey sobre o Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e a de ouvir foi na Roda dos Livros, onde algum dos presentes falou sobre o J.G. Ballard de uma maneira que eu não consigo, ou seja, de maneira coerente. Quanto a ler, de momento não me recordo de nenhuma mas culpo toda a gente que tem falado sobre Uma Magia Mais Escura, sobretudo a Célia e a Patrícia, que já deveriam de saber que uma pessoa não precisa de ler mais boas opiniões sobre livros de fantasia...

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.

Esta é fácil! Oh para O Mundo de a Guerra dos Tronos! Ok, a foto não lhe é favorável mas o do Eco também não é desagradável à vista...



15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Precisarei de ler muitos, que de momento não são para aqui chamados, mas gostava de ler, ou melhor, ouvir o áudio-livro The Year of the Flood da Margaret Atwood. No entanto, vou lendo o que posso e o que quero, porque como o tempo livre não tem sido muito e nem sempre tenho cabeça para leituras, tenho preferido ir ao sabor do que me apetece num determinado momento.

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