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Coisas que...

Coisas que...

29
Abr15

[Encontro] Diz-nos a experiência

Carla B.

Diz-nos a experiência

Pouco mais de 100 anos depois esta frase, de um antigo panfleto de um museu nacional, podia ainda ser usada. A proibição de mexer em objectos expostos é apenas um cuidado a ter com os mesmos, não apenas porque muitos são frágeis, podendo o próprio suor colocar em risco a integridade física da peça, mas porque azares realmente acontecem.

26
Abr15

[Pondero] De momento #8

Carla B.

A ler // Depois de muito ter pensado se pegaria em Wilt ou Rebeca, resolvi não pegar em nenhum daqueles livros e comecei antes a ler, sendo que avancei muito pouco na leitura, Os Prazeres do Ócio: 24 horas, 24 maneiras de não fazer nada. E apesar de ter lido pouco, sinto que já estou a fazer justiça ao livro porque não lhe tenho pegado devido a preferir estar ociosa. 

 

Também tive que ler outras coisas para trabalho o que, ao fim do dia, fez com que quisesse tudo menos ler. Sinto que começo a ter uma quota de leitura por dia, ou é mesmo cansaço mental que impede que preste atenção, depois de um dia passado a trabalhar, em coisas como frases escritas.

 

A ver // Lá cedi e vi "As 50 Sombras de Grey". O melhor, para mim, foi sem dúvida a banda sonora, o pior parece mesmo ser o assistir a duas pessoas sem qualquer química e com ideias diferentes do que esperam de uma relação, esforçarem-se demasiado por fazer aquilo funcionar. Mas também é como assistir a um acidente, não dá para desviar o olhar. E não, continuo sem intenções de pegar nos livros.

 

A bloggar // Falei de como parece estou a fazer leituras a 4 olhos com o meu chefe e deu-me ideias para outras coisas a fazer por aqui. Mas como a preguiça impera, não sei se vai ser coisa para ter alguma periodicidade ou simplesmente quando me dá na cabeça.

 

A querer // Que as alergias passem depressa. A coisa parece estar a ficar melhor mas preciso de passar pelo mesmo todos os anos? São as alergias algum tipo de ritual de iniciação à primavera?!

25
Abr15

[Desafiam] 52 semanas - #4 As minhas citações preferidas

Carla B.

Ora para esta semana socorri-me do Goodreads, que é uma plataforma jeitosa não só para manter as leituras em dia como para manter as citações organizadas.

 

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me."

C.S. Lewis

 

"Of course it is happening inside your head, Harry, but why on earth should that mean that it is not real?"

J.K. Rowling

 

"I have always imagined that Paradise will be a kind of library."

Jorge Luis Borges

 

"Fairy tales are more than true: not because they tell us that dragons exist, but because they tell us that dragons can be beaten."

Neil Gaiman

 

"Imóvel sobre a mesa, a ampulheta assinalava o movimento incessante do mundo."

João Paulo Oliveira e Costa

 

Okay, já estão 5 e esta para citação é demasiado grande mas não podia deixar de colocar aqui...

 

"I can listen no longer in silence. I must speak to you by such means as are within my reach. You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone for ever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half ago. Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you. Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant. You alone have brought me to Bath. For you alone, I think and plan. Have you not seen this? Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine. I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature! You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. Believe it to be most fervent, most undeviating, in F. W.

I must go, uncertain of my fate; but I shall return hither, or follow your party, as soon as possible. A word, a look, will be enough to decide whether I enter your father's house this evening or never."

Jane Austen

23
Abr15

[Acontecem] Leituras a 4 olhos

Carla B.

Até parece que vem a propósito do Dia Mundial do Livro mas passou-se ontem...

 

Há tempos dei para as mãos do meu chefe um livro dizendo-lhe que ao lê-lo ia perceber-me um pouco melhor. Isto porque temos feitios diferentes. Ele é extrovertido, sente-se bem rodeado de pessoas, adora falar e que lhe dêem atenção. É a maneira de ser dele, não tenho nada contra e até simpatizo com ele por isso, mas eu sou diferente. Sou introvertida, sinto-me bem sozinha, não tenho medo de estar em silêncio e adoro estar nos bastidores. Ao sentir que ele aparentemente, e mesmo outros colegas, não percebiam que eu preciso de momentos para estar só e de dedicar-me a coisas do meu agrado (leitura por exemplo), que constantes reuniões com muita gente, que ter que lidar com muita gente, ter que trabalhar quase 7 dias por semana, estava a afectar-me, resolvi passar-lhe um livro que achei ser uma boa leitura.

 

O livro era nada mais que Silêncio: o poder dos introvertidos num mundo que não pára de falar. Tinha tomado conhecimento dele por ter sido nomeado para um Guardian Book Award e depois de ter visto um vídeo da autora com que me identifiquei. Dei-lhe então o livro e fiz até questão de assinalar certas passagens, coisa que não tenho por hábito, em que me revia particularmente. O resultado tem sido hilariante, sobretudo porque sinto que ele tenta analisar-me e, de certa forma, usar psicologia inversa ou usa as passagens assinaladas para "justificar" algum trabalho que surge para eu fazer.

 

Após uma última "alhada em que se meteu" (palavras dele) e que sobrou para mim, tentei ensinar-lhe o uso da palavra "não" e, porque o senhor é um workaholic, disse-lhe que estava a ler um novo livro de que ele também era capaz de fazer bom uso e que tem como título Os Prazeres do Ócio: 24 horas, 24 maneiras de não fazer nada. Referi que ainda estava muito no início, que lhe podia emprestar, ao que ele respondeu algo do género "não, lê-o primeiro e coloca os teus post-its, que assim fazemos uma leitura a 4 olhos!" E eis como surge, espontaneamente, uma espécie de clube de leitura. 

 

Agora vou é tentar não pensar muito na responsabilidade...

21
Abr15

[Li] "A Relíquia" de Eça de Queirós

Carla B.

Ai Eça, como eu adoro o teu retrato da sociedade portuguesa dos finais do séc. XIX e como parece ela tão semelhante nos inícios do séc. XXI.

 

Podia vir para aqui falar de como as aulas de Português quase mataram o fascínio que tenho vindo a desenvolver pelo Eça quase à sua nascença, mas penso que isso é tema para outros debaterem. Não, prefiro vir antes falar de como mais de 100 anos depois de ele ter vivido, a sociedade é ainda tão igual aquela que conheceu.

 

Em A Relíquia somos apresentados a Teodorico Raposo, o "Raposão", que ainda em criança é levado para casa de uma muito beata "Titi". Mas lá porque a casa em que cresce é beata, não quer dizer que ele o seja, correndo atrás de tudo quanto é rabo de saias sempre que se apanha longe dos olhares da Titi. Mas tem que ser bem longe, que dentro de casa sob aquela vista implacável ele é uma coisa bem diferente, penando-se e martirizando-se, batendo no peito e pedindo perdão por todos aqueles pecados que (não) fez, só mesmo para inglês... perdão, para Titi ver, porque até lhe dava jeito ficar com a herança dela.

 

Enfim, Teodorico para se tornar mais santo que os santos, aos olhos da Titi, decide viajar até à terra que dá santidade. Mas o hábito de santo não lhe fica bem e aproveita o facto de se encontrar longe dos olhos daquela para se refazer-se da outra que o deixou, cedendo por isso a todas as tentações que encontra no caminho. E foi disto que gostei. Não do facto de trabalhar as mulheres como lixo ou de julgar as acções delas como sendo piores que as suas, quando elas são exactamente como ele, e isso, mais que as acções dele, levaram-me a não gostar da personagem, mas de a sua personalidade pouco ou nada mudar. Mesmo depois de ter o sonho em que presencia a Paixão de Cristo, não deixa de ser o hipócrita que era antes. Sim, há ali uns momentos em que parece querer mudar mas isso rapidamente lhe passa e volta aos antigo hábitos. Só quando tudo lhe corre mal, após curiosamente tentar deixar de ser o hipócrita que é, é que avalia a própria consciência e reconhece os seus erros, efectuando-se uma ligeira mudança nele. E digo ligeira porque perante a hipocrisia de outros, arrepende-se de não ter continuado a mentir perante "a relíquia".

 

A hipocrisia reina neste livro, propiciando alguns momentos bastante engraçados, e dá um retrato muito bem conseguido dos vários estratos da sociedade portuguesa à época, mostrando-nos a sua beatice e o seu cinismo, algo que ainda hoje se encontra em alguns meios.

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